O que você faria se visse um pai chutando uma criança no meio da rua? A maioria não faria nada
Nós vivemos em um ciclo de normalização da violência justamente por medo dela ou por simplesmente por não saber a forma correta de agir

Um homem de 31 anos foi indiciado por lesão corporal e tortura após ser flagrado chutando sua filha de apenas 3 anos, em Francisco Beltrão, no Paraná. As imagens, que viralizam nas redes sociais e ganharam o noticiário, são revoltantes e causam um sentimento de indignação extrema.
Como alguém pode fazer isso com a própria filha sem nenhum constrangimento?
É impossível não pensar o que nós faríamos se estivéssemos presentes na cena. Eu mesma, instintivamente, me imaginei voando em cima desse criminoso de tanta raiva que senti.
Mas a verdade é que a maioria das pessoas não faria nada se estivesse em uma situação dessas.
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Normalização da violência
Nós vivemos em um ciclo de normalização da violência justamente por medo dela. A nossa sociedade ainda enxerga agressões contra crianças como “forma de educar”, mesmo quando ultrapassam qualquer limite razoável.
Outras pessoas congelam em situações assim porque não sabem se entenderam corretamente ou qual seria a melhor forma de agir — por acharem que é um “assunto de família”.
O medo de represália da violência alheia também faz com que nos calemos, mas intervir pode ser uma decisão fundamental para interromper ciclos de violência e salvar uma vida.
Faça a diferença
No vídeo, é possível ver um homem que imediatamente foi até a família e questionou a atitude do pai. Foi ele quem denunciou e procurou as autoridades para a responsabilização do genitor.
Em entrevistas posteriores, explicou que não reagiu com mais violência porque pensou nas crianças que já estavam vulneráveis com a situação.
Ele afirmou que ver o pai apanhar de um estranho seria ainda mais traumático para elas — e está certo.
É preciso sempre agir de forma prudente para minimizar a violência. Por isso, se presenciar alguma situação assim, garanta que as crianças sejam acolhidas o mais rápido possível:
- Questione o agressor, se isso puder ser feito com segurança;
- Ligue imediatamente para a Polícia Militar (190);
- Acionar o Conselho Tutelar;
- Registre imagens, quando isso puder servir como prova, sem deixar de chamar as autoridades.
A omissão é contagiosa, mas a coragem também é. Precisamos mudar os valores da nossa comunidade e proteger as nossas crianças.
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