Rebeldia sem explicação? Talvez seu filho esteja na ‘puberdade do dente mole’
Crianças entre 5 e7 anos começam a deixar para trás a primeira infância e passam a ter capacidades cognitivas mais sofisticadas

Absolutamente do nada, meu filho, que sempre foi muito alegre, gentil e educado, começou a ficar agitado, irritado e questionador. Foi assim, de uma semana para outra. Como se ele tivesse mudado de personalidade, como se um ‘miniadolescente’ tivesse ocupado o lugar do meu filho de 6 anos.
Fiquei sem saber como reagir. Passaram-se duas semanas e aquele novo comportamento se manteve. Então, fui pesquisar o que poderia ter acontecido com ele.
Foi aí que encontrei uma reportagem da BBC que falava sobre a Wackelzahnpubertät, que em português é algo como a ‘puberdade do dente de leite’.
Esse é um termo usado sobretudo em países de língua alemã para nomear um conjunto de mudanças que acontece aproximadamente entre 5 e 7 anos, e associado à época em que os dentes de leite começam a cair.
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Mas, afinal, o que é isso?
Calma, seu filho não entrou na puberdade. Ele entrou na segunda infância, quando, apesar de não se terem mudanças hormonais relevantes, existem mudanças cognitivas e sociais muito importantes.
É uma espécie de mudança de posição da criança no mundo. Ela começa a deixar para trás algumas características da primeira infância e passa a ter capacidades cognitivas e sociais muito mais sofisticadas.
Embora se tenha poucos estudos sobre esse período, pesquisadores descrevem essa etapa como uma fase própria e importante do desenvolvimento, e não simplesmente como um intervalo entre a primeira infância e a adolescência.
É como se a capacidade de pensar crescesse mais rápido que a capacidade de se autorregular, gerando esses momentos de explosão, rebeldia e angústia.
Como reconhecer essas mudanças?
Nessa fase a criança começa a querer mudanças: fazer coisas sozinha, tomar pequenas decisões, ter mais controle sobre sua rotina, questionar explicações dos adultos, argumentar, escolher amigos e ter opiniões próprias.
Ao mesmo tempo, ela ainda depende bastante dos adultos para regular emoções, organizar situações difíceis e sentir segurança.
De acordo com o estudo The Influence of Parents on Emotion Regulation in Middle Childhood, é nessa etapa que ocorre uma mudança no papel dos pais: eles começam a sair de uma posição de controle direto para uma posição mais de orientação, supervisão e apoio.
Ninguém disse que seria fácil
É incrível como uma criança de 6 anos pode passar 20 minutos argumentando como uma pequena advogada e, meia hora depois, estar chorando porque a mãe cortou a torrada “do jeito errado”.
Isso é enlouquecedor, mas não é necessariamente incoerência.
Precisamos sempre nos lembrar de que se trata de uma criança que está adquirindo novas capacidades cognitivas e sociais, mas ainda não construiu os recursos emocionais para utilizá-las de maneira consistente.
Antes a equação era simples: eu digo e você faz. Agora as coisas ficam mais sofisticadas: você estabelece o limite, explica, escuta, negocia o que pode ser negociado, deixa experimentar alguma consequência e continua disponível.
Por isso, nós também precisamos mudar e ir crescendo com eles. Ninguém disse que seria fácil, não é mesmo?
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