Ciência mostra que tempo dos pais no celular prejudica mais do que tempo de tela das crianças
Estudo na Noruega acompanhados por três anos, sugere que o impacto do vício em telas nos adultos pode afetar crianças entre 5 e 7 anos

Um estudo feito pela Universidade de Oslo, na Noruega, publicado na revista Jama Pedriatics, mostrou que o tempo dos pais no celular prejudica mais do que o tempo de tela das próprias crianças.
Isso mesmo que você leu!
Estar com seu filho fisicamente, mas de olho no celular, pode custar mais caro que dar um smartphone para ele. No entanto, já alerto que as duas coisas causam impactos muito negativos no desenvolvimento infantil, principalmente na linguagem e conexão, respectivamente.
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Neste estudo com 747 crianças norueguesas, entre meninos e meninas dos 5 aos 7 anos, monitoradas por três anos, o tempo de uso de smartphones pelos pais foi significativamente associado a um crescimento mais lento do vocabulário dessas crianças.
Ter um dispositivo próprio nessa fase da vida também foi associado a um desempenho linguístico inferior, segundo os autores. As crianças que já tinham um celular partiam de pontuações mais baixas do que as que não possuíam.
Mas por que isso acontece? Te dou 5 bons motivos:
- Menos conversas presenciais: pais distraídos reduzem o vocabulário direcionado aos filhos, que são menos estimulados;
- Perda de oportunidades: com a distração, diminuem momentos de conversas, leitura compartilhada, contação de histórias e brincadeiras;
- Atraso na linguagem: menor engajamento verbal gera atraso no desenvolvimento da fala;
- Exemplo negativo: crianças tendem a reproduzir o comportamento dos adultos e naturalizam o isolamento mental;
- Quebra de conexão: o uso do celular interrompe a reciprocidade emocional essencial na primeira infância e enfraquece o vínculo entre pais e filhos.
O que posso fazer então?
Hoje em dia, uma das cenas mais comuns em parquinhos, restaurantes e salas de espera são pais mergulhados em seus celulares, mas não podemos esquecer que estar presente é a chave do crescimento saudável.
“O desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança acontece principalmente por meio das interações reais, presenciais e responsivas com os adultos que permeiam as conexões de cuidado, proteção e educação. É nesse “vai e vem” de olhares, expressões faciais, gestos, afetos e palavras que o cérebro da criança se organiza. Quando o adulto está frequentemente distraído pelo celular, podem ocorrer consequências", explica Cristina Mendes Gigliotti Borsari, coordenadora do Setor de Psicologia do Sabará Hospital Infantil.
Claro que a vida se impõe, tem trabalho, tem mensagens importantes, inclusive, para ajudar no cuidado deles, mas sempre podemos tentar melhorar. E, para isso, existem estratégias que podem ajudar a amenizar o tempo que precisamos passar no celular:
- Crie “zonas livres de celular”: momentos como refeições, horário do banho, brincadeiras interativas e lúdicas, e principalmente na hora de dormir podem ser protegidos como tempos de conexão, sem uso de aparelhos celulares;
- Pratique presença intencional: não se trata de passar o dia inteiro em interação ativa, mas de oferecer momentos de qualidade: olhar nos olhos, responder com atenção, demonstrar interesse genuíno pela rotina e experiências do filho;
- Regule seu próprio uso: “Estou usando o celular por necessidade ou por hábito?” A autorregulação do adulto é modelo direto para a criança;
- Validar e reparar: se perceber que esteve distraído, é possível reparar: “Desculpa, eu estava no celular. Agora quero ouvir você.” Vamos conversar sem o celular? Reparações fortalecem vínculos e carregam consigo grande aprendizado.
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