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Tempinho Juntos: Dicas de Ingrid Alfaya - R7

Nova polêmica com filho de Zé Felipe e Virginia: sexualização infantil não é brincadeira!

Piadas engraçadinhas refletem um contexto perigoso de normalização de violência; saiba como proteger as crianças

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Cantor se desculpou sobre vídeo e disse que entendeu parte das críticas Reprodução/Instagram/@zefelipe

Um novo vídeo do cantor Zé Felipe com o filho mais novo - que parece uma brincadeira boba - esconde muita camadas preocupantes da normalização da sexualização infantil.

Definitivamente, não é mimimi. É preocupante.


Nas imagens, o cantor na presença dos pais, Poliana e Leonardo, brincam com o menino de apenas 1 e 10 meses perguntando: “O que você vai dar para as meninas?” E a criança responde “dar pau” - apontando para as partes íntimas. Todo mundo ri e o menino continua porque sente que agradou sem nem entender o significado daquilo.

Dar pau... uma expressão de duplo sentido para sexo e para violência. Sinceramente, não sei qual é a pior.


Mas o que mais assusta é que, além de fazer a brincadeira e não ver nenhum problema nela, ela foi filmada e postada para milhares de seguidores.

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Crianças são nossos espelhos

Durante muitas décadas houve uma normalização das brincadeiras sexualizadas e machistas com crianças. As pessoas realmente achavam fofo ver as crianças reproduzindo falas adultas e viviam em um contexto social e cultural que, felizmente, não existe mais.


No entanto, algumas famílias insistem em ficar presas nos anos 80 e parecem não entender a realidade de violência no nosso país e como ela começa.

Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Liberta, 1 em cada 3 brasileiros sofreu violência sexual na infância. Desses casos, 60% das vítimas eram meninas com menos de 13 anos e 95,4% dos autores são homens que cresceram achando que é normal dar “pau nas meninas”.


Parece meio exagerado, mas não é. Grande parte do nosso caráter e dos nossos valores se formam na infância.

Se crescemos em um ambiente que normaliza a sexualização das crianças e a violência contra à mulher, não conseguimos nem enxergar que existe um problema sério e real em vídeos como esse - problema que pode não atingir a sua família diretamente, mas atinge muitos lares no Brasil.

Como nos proteger?

Muitas vezes a violência sexual vem disfarçada de brincadeira e de carinho. Por isso, precisamos orientar as crianças a se protegerem:

  • Ensine que o corpo pertence à criança: ensine desde cedo que o corpo é dela e que ninguém pode tocá-la além das pessoas de confiança;
  • Fale sobre consentimento: Desde a primeira infância precisamos ensinar sobre consentimento e a importância de dizer não;
  • Diferenciar toques seguros e inseguros: Fale de forma clara a diferença de toques de cuidado e toques que causam medo e desconforto;
  • Construa uma rede de adultos de confiança: Toda criança precisa saber identificar pessoas com quem pode conversar caso algo aconteça;
  • Oriente sobre segurança no ambiente digital: Converse sobre privacidade e exposição, explique que fotos e vídeos íntimas nunca devem ser compartilhados;
  • Mantenha diálogo constante: O tema deve fazer parte da educação cotidiana, de maneira adequada à idade, criando um ambiente em que a criança se sinta segura para falar sobre dúvidas, medos e situações desconfortáveis.

Quer saber mais sobre educação para prevenção de sexualização das crianças e violência sexual e como abordar o tema com seu filho? Acesse o site do Instituto Liberta.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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