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Patricia Lages

Análise: Emoções podem neutralizar a inteligência e enganar o cérebro

Traídas pelas emoções, pessoas inteligentes sofrem as consequências de coisas estúpidas que fizeram ou disseram sem nem mesmo saberem porquê

Patricia Lages|Do R7

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Inteligência emocional é melhor que currículo vasto
Inteligência emocional é melhor que currículo vasto

É de conhecimento geral que o número de desempregados no país é enorme, fato que faz com que muita gente corra para as faculdades ou busque cursos de atualização e capacitação profissional.

Mas, na verdade, o que cada vez mais as empresas buscam são valores, e não necessariamente conhecimento, inteligência emocional, e não necessariamente um vasto currículo.


Pessoas que possuem currículos invejáveis, mas não conseguem controlar suas emoções não estão em vantagem diante de outras cuja experiência profissional nem é tão atrativa, mas trazem valores e têm o domínio de si mesmas.

Em seu livro Inteligência emocional, Daniel Goleman afirma que “explosões emocionais são sequestros neurais”. Ou seja, assim que as emoções assumem o controle em uma determinada situação, o neocórtex — cérebro pensante — é sequestrado e não consegue avaliar a tempo se o que a pessoa está fazendo é um bom ou ruim, se faz sentido ou não.


O autor chega a usar o termo cérebro “possuído” para descrever essa neutralização do pensamento que faz com que as pessoas tomem atitudes estúpidas e descabidas, mesmo sendo inteligentes. São aquelas ações que, depois que aconteceram, a pessoa não consegue entender, muito menos explicar, o que deu em si mesma.

Portanto, de que adianta uma parede cheia de diplomas, se a pessoa é intempestiva, não se dá bem com ninguém, perde a paciência com um cliente mais exigente ou tem reações explosivas quando é contrariada?


É certo que, no Brasil, falta qualificação profissional em uma série de áreas — talvez em todas elas —, mas não podemos esquecer de que conhecimento se adquire, enquanto controle e domínio próprio são características muito mais difíceis de serem desenvolvidas.

O livro de Daniel Goleman é, com certeza, uma obra interessantíssima e entrega o que o subtítulo promete: “a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente”.


Mas quando nos deparamos com a palavra revolucionário, logo pensamos em algo novo, recém-criado ou descoberto. Porém, a cada página lida, o que vem à minha cabeça é um provérbio milenar que diz:

“Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade.” – Provérbios 16:32

Esta é mais uma prova de que vivemos em ciclos, em que, segundo a história atesta, as coisas precisam piorar muito para começarem a melhorar e que aquilo que buscamos no futuro já estava previsto no passado. Para viver melhor neste mundo moderno é preciso reconhecer os reais valores e eles certamente não estão nos bancos das faculdades. Que você encontre esses valores, desenvolva o controle sobre suas emoções e seja, de fato, uma pessoa inteligente.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e RecordTV e é facilitadora do programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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