Análise: Suas redes sociais fazem mesmo sentido?
As redes sociais têm sido verdadeiras armadilhas para quem usa as mãos com a cabeça desligada
Patricia Lages|Do R7

Ainda me surpreendo com algumas postagens que aparecem na timeline das minhas redes sociais. Vejo periodicamente pessoas que são tão corretas e coerentes na vida real, mas que, muitas vezes, passam uma imagem totalmente equivocada sobre si mesmos.
Não vou nem entrar na questão dos compartilhamentos sem critério, dos comentários cheios de opinião — de quem claramente não leu nada além da manchete de alguma matéria — e da ridicularização de terceiros sem a menor preocupação de que se trata de um ser humano.
Mas me refiro às pessoas que ainda subestimam os perigos da superexposição e acham que se não postarem cada momento de suas vidas, estão perdendo alguma coisa. Essa ânsia por publicar cada episódio da vida e transformar tudo e qualquer coisa em “conteúdo” gera posts que, no fundo, não fazem o menor sentido.
São vídeos de pessoas acordando, contando o que farão durante o dia, explicando porque “sumiram” no dia anterior e se desculpando por não terem mostrado o café da manhã. Gente que publica fotos e vídeos com legendas detalhadas explicando que estão passando mal e fazendo uma verdadeira “cobertura” de sua saga: a ida ao hospital, a foto em close up da pulseirinha colocada pela enfermeira, a cara de sofrimento e, finalmente, a foto clássica deitada na maca com a medicação aplicada na veia.
Já tive a infelicidade de ver a postagem de uma pessoa sentada no vaso sanitário contando o que ia fazer para o jantar logo após tomar uma ducha. Aproveitando o momento, mostrou seu shampoo preferido e o novo creme hidratante que usaria mais tarde.
Esse tipo de “conteúdo” me faz imediatamente deixar de seguir uma pessoa que, como comentei, na vida real é alguém totalmente diferente.
As perguntas que me vêm à cabeça são: por que há pessoas que se prestam a esse tipo de coisa? Qual o motivo para tanta exposição? Por que cargas d’água publicar numa rede com alcance inimaginável cenas e momentos tão particulares? E por que pais expõem seus próprios filhos mesmo vivendo em uma época tão violenta?
Talvez nem eu e nem você encontraremos as respostas, mas o que podemos fazer é perguntar a nós mesmos se o conteúdo que colocamos nas redes sociais faz sentido. Temos o dever de zelar pela nossa imagem e de perceber que a privacidade é muito mais interessante do que a superexposição. Além do que discrição, não traz dores de cabeça nem efeitos colaterais!
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