Estudantes protestam pelo direito de vestir menos roupas nas escolas
“Queremos usar regatas tipo segunda pele como se fossem blusas e usar blusas tomara-que-caia e frente única"
Patricia Lages|Patricia Lages

Temos observado ao longo da história que o Brasil costuma adotar vários modismos lançados em diversas partes do mundo, bem como costumes que surgem em países distantes e com culturas bem diferentes das nossas. Por isso, nos dias de hoje, fica difícil saber o que é verdadeiramente brasileiro e o que foi adotado e assimilado de outras nações.
Devido à maior parte do nosso país ser de sol e calor, o costume de usar pouca roupa é bem brasileiro e não é de se estranhar. Em cidades praianas é possível ver as pessoas circulando em roupas de praia pelas ruas e até mesmo em supermercados, padarias e bancos.
Mas o que estranhei muito foi a notícia de que, em Quebec, no Canadá — um País conhecido pelas temperaturas muito baixas — um grupo de meninas estudantes do ensino médio de uma escola particular está protestando pelo direito de frequentar as aulas sem usar sutiã, vestindo shorts mais curtos e blusas tipo tomara-que-caia e frente única.
Um dos grupos, o Les Carrés Jaunes [Quadrado Amarelo, em português] publicou em sua página no Facebook que a luta é para “combater o dress code (código de vestimenta) sexista que a escola impõe às estudantes”. As meninas que fazem parte da militância vão para a escola com um quadrado amarelo (um Post-it) colado na roupa em sinal de protesto.
O grupo criou o movimento para pressionar a direção da escola a reavaliar o dress code e garantir que homens e mulheres sejam tratados da mesma forma. Na página do grupo no Facebook, as demandas são bem claras e específicas.
— Primeiramente, queremos autorização para usar shorts mais curtos que cubram o bumbum, mas não as coxas. Queremos usar leggings sem termos que vestir uma blusa que cubra o bumbum. Queremos usar regatas tipo segunda pele como se fossem blusas e usar blusas tomara-que-caia e frente única. Exigimos também o direito de não termos que usar sutiã e sermos respeitadas quando estivermos sem.
O grupo também deixa claro quais são os limites que devem sem respeitados pelas alunas.
— Não temos o direito de ficar olhando as roupas íntimas, sejam de meninas ou meninos. Não temos o direito de usar decotes muito profundos nem de deixarmos à mostra a parte inferior do bumbum.
As militantes já comemoram algumas mudanças conquistadas junto à direção e pensam em levar o movimento para além dos muros da escola, para que as estudantes de escolas públicas também tenham assegurado o seu direito de não usar sutiã e assistir as aulas com roupas mais ousadas.
Minha análise diante desse assunto — que pode ser considerado bastante complexo — até que é bem simples: na minha casa existes vários objetos que considero valiosos. Alguns porque custaram caro mesmo e outros porque têm valores sentimentais. Por mais que eu gostaria de ter o direito de sair de casa sem ter de trancar as portas e sem precisar acionar o alarme, sei muito bem que, se não fizer isso, corro o risco de que alguém mal intencionado entre e toque no que é meu. Eu só permito que entrem na minha casa pessoas da minha total confiança, pois trata-se de um espaço particular. Minhas coisas de maior valor não ficam expostas sobre a mesa da cozinha, mas sim, guardadas em locais particulares. Quanto mais valioso, mais bem guardado, claro!
Se eu tenho todo esse cuidado com coisas materiais, muito maior é o meu cuidado com o meu corpo. Não tenho a menor intenção de exibir para qualquer um aquilo que pertence à minha particularidade. E todas as vezes que faço isso, tenho a certeza de estar valorizando aquilo que só eu tenho.
Em vista disso, por que será que a cada dia mais, mulheres de várias partes do mundo buscam o “direito” de colocar numa vitrine as joias que deveriam estar em um cofre? Por que preservar o próprio corpo para si e para o parceiro tem sido encarado como um fardo? Fica a pergunta para quem souber responder.














