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Café no Ceará: tradição de 200 anos esconde sabores surpreendentes na serra

Diferentemente das lavouras convencionais expostas ao sol, os cafezais na Serra de Baturité crescem protegidos pelas copas das árvores

Dose de Cafeína|Lilian TrigoloOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A produção de café na Serra de Baturité, Ceará, possui uma tradição de mais de 200 anos, com cafezais cultivados à sombra de árvores.
  • Sérgia Miranda, uma desembargadora aposentada, revitalizou um antigo cafezal na região, destacando-se pela qualidade e desafios da cafeicultura local.
  • O café da Serra de Baturité é conhecido por seu sabor marcante, influenciado pelo cultivo à sombra e pela variedade arábica Typica.
  • Em março de 2026, a região obteve o registro de Indicação Geográfica, valorizando sua tradição cafeeira e incentivando a visibilidade do café cearense.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Na propriedade de Sérgia, os pés de café estão situados entre 800 e 900 metros de altitude Arquivo pessoal/Sérgia Miranda

A nossa Dose de Cafeína de hoje nos leva a terras cearenses! Você sabia que o Ceará também produz cafés de muita qualidade? Na Serra de Baturité, em meio às montanhas, ao clima ameno e à vegetação exuberante, uma tradição de mais de 200 anos mantém viva a produção de cafés cultivados à sombra de ingazeiras e árvores frutíferas.

Quando pensamos na produção brasileira de café, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo costumam ser as primeiras regiões lembradas. Mas o Ceará também tem uma história para contar, e ela começa há mais de 200 anos, nas montanhas da Serra de Baturité.

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É nesse cenário que vamos conhecer a história de Sérgia Miranda, uma desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça do Ceará, que encontrou na cafeicultura uma paixão inesperada e descobriu os prazeres e desafios de produzir café no Ceará.

Em 2007, Sérgia adquiriu uma propriedade de dez hectares na Serra de Baturité, inicialmente destinada ao lazer da família.

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O terreno, entretanto, guardava uma surpresa: um cafezal antigo, que precisava de cuidados e recuperação.

Diante da oportunidade, decidiu investir tempo e recursos para revitalizar a plantação. Em 2011, passou a intensificar a produção, buscando também uma alternativa para ajudar na manutenção da propriedade.

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“Me apaixonei pelo café”, conta Sérgia, que buscou apoio no programa do Sebrae voltado aos pequenos produtores.

A experiência trouxe descobertas sobre a qualidade do café cearense, mas também revelou as dificuldades de transformar a atividade em um negócio economicamente sustentável.

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O segredo está na sombra; uma das particularidades do café produzido na Serra de Baturité é seu sistema de cultivo.

Diferentemente das lavouras convencionais expostas diretamente ao sol, os cafezais da região crescem protegidos pelas copas das árvores.

Na propriedade de Sérgia, os pés de café estão situados entre 800 e 900 metros de altitude. O sombreamento contribui para criar um microclima favorável ao desenvolvimento dos frutos, permitindo uma maturação mais lenta e influenciando as características sensoriais da bebida.

O resultado, segundo a produtora, é um café de sabor marcante, com aromas de chocolate, frutas cítricas e amêndoas.

Os detalhes demonstram quanto conhecimento, atenção e trabalho existem por trás de uma xícara de café Arquivo pessoal/Sérgia Miranda

Outro diferencial é a variedade cultivada: o arábica Typica, uma linhagem tradicional do café, conhecida pela qualidade da bebida, mas também pela baixa produtividade.

Sérgia destaca que, nas condições de sua propriedade, a variedade apresenta boa resistência ao estresse hídrico, característica importante diante das condições climáticas do Ceará.

Uma produção que exige muita dedicação, o calendário da cafeicultura na Serra de Baturité acompanha as particularidades do clima e do relevo.

Janeiro é dedicado ao replantio das mudas, muitas delas produzidas por agricultores da região com orientação técnica.

Entre fevereiro e o início de junho, os produtores realizam a limpeza e a manutenção dos cafezais, preparando as plantas para a colheita, que normalmente acontece entre o final de junho e agosto.

Depois, começa uma etapa decisiva para a qualidade da bebida: o pós-colheita. A secagem precisa considerar as condições específicas de cada propriedade.

Segundo Sérgia, mesmo entre sítios separados por menos de um quilômetro, as diferenças de umidade podem exigir cuidados distintos.

São detalhes que demonstram quanto conhecimento, atenção e trabalho existem por trás de uma xícara de café.

Qualidade reconhecida, mas desafios persistentes. Embora o café de sombra apresente características valorizadas no mercado de cafés especiais, a realidade econômica dos pequenos produtores está longe de ser simples.

Entre os principais obstáculos apontados por Sérgia estão as mudanças climáticas, a escassez de mão de obra, as dificuldades de mecanização, o relevo acidentado e os custos elevados.

A baixa produtividade dos cafezais antigos também exige investimentos que nem sempre encontram retorno financeiro.

Uma tradição que ganha reconhecimento apesar das dificuldades individuais enfrentadas pelos produtores, a Serra de Baturité vive um momento importante de valorização de sua identidade cafeeira.

Em março de 2026, o café cultivado na Serra de Baturité, no Ceará, teve uma grande conquista através do registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP).

Este reconhecimento valoriza a trajetória centenária da região na produção de café arábica em sistema sustentável e fortalece a ligação entre o produto, sua origem e a tradição regional.

Com esse novo registro, o Brasil passa a somar 157 Indicações Geográficas nacionais, sendo 125 Indicações de Procedência e 32 Denominações de Origem.

A Serra de Baturité também passa a integrar o grupo das 23 IGs brasileiras concedidas para o café.

A conquista representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade do café cearense e incentivar iniciativas de valorização da produção local.

Para pequenos cafeicultores, entretanto, permanece o desafio de transformar esse reconhecimento em melhores condições de comercialização e sustentabilidade econômica.

“Me apaixonei pelo café”, conta Sérgia Miranda Arquivo pessoal/Sérgia Miranda

Muito além de uma xícara, a história de Sérgia Miranda representa o encontro entre tradição, paixão e realidade. Sérgia reconhece o prazer de produzir um café que carrega a identidade da Serra de Baturité.

A preservação da variedade Typica, o cultivo protegido pelas árvores e os aromas característicos fazem parte de um patrimônio agrícola e cultural que merece ser conhecido.

O café cearense mostra que a diversidade da cafeicultura brasileira vai muito além das regiões produtoras mais tradicionais.

Bora conhecer, valorizar e olhar com carinho para além das regiões mais conhecidas!

Cada canto do nosso Brasil tem histórias, riquezas e sabores únicos que merecem ser descobertos e valorizados, temos uma diversidade surpreendente no nosso país!

Instagram: @sergiafenix @cafefenix

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