Conheça as duas mulheres que transformaram a história do café no mundo
No Dia Internacional da bebida, o blog traz uma edição especial em comemoração à data reconhecida pela ONU
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O Dia Internacional do Café, comemorado nesta quinta-feira, 1º de outubro, já era celebrado desde 2015 por iniciativa da OIC (Organização Internacional do Café). Mas, a partir deste ano, também conta com a chancela oficial da ONU (Organização das Nações Unidas).
O reconhecimento reforça a importância econômica, social e cultural do café e de toda a sua cadeia produtiva.
Em uma data que celebra a história do café, vale lembrar de duas mulheres que mudaram a relação do mundo com a bebida.
Começamos por Melitta Bentz, que teve uma ideia dentro de casa que ganhou o mundo.
No início do século XX, preparar café podia significar conviver com resíduos de pó na xícara.
Inconformada com isso, a alemã Melitta Bentz, dona de casa em Dresden, começou a experimentar maneiras de obter uma bebida mais limpa.
Em 1908, ela teve uma ideia simples e engenhosa. Perfurou o fundo de um recipiente de latão e colocou sobre ele um pedaço de papel retirado do material escolar de um de seus filhos. O papel reteve o pó e deixou passar o café.
A experiência doméstica se transformaria em uma inovação mundial: o filtro de papel para café.
Melitta obteve proteção para sua invenção naquele mesmo ano e, ao lado do marido, iniciou um pequeno negócio familiar.
A empresa começou dentro da própria casa e cresceu até transformar o sobrenome da inventora em um nome conhecido internacionalmente.
Mais de um século depois, o princípio criado por Melitta continua presente no cotidiano de milhões de pessoas. Sua história mostra como a observação de um problema aparentemente simples foi capaz de transformar para sempre uma das maneiras mais populares de preparar café.

Décadas depois, outra mulher provocaria uma mudança importante, desta vez na maneira de enxergar a qualidade do café.
Nascida na Noruega e radicada nos Estados Unidos, Erna Knutsen construiu sua carreira no mercado cafeeiro em uma época em que o comércio de café era predominantemente masculino.
Ela começou trabalhando em uma empresa importadora de café em São Francisco e percebeu que determinados lotes possuíam características excepcionais relacionadas à origem, ao terroir e à forma como eram produzidos.
Erna passou a defender que esses cafés deveriam ser reconhecidos e comercializados por suas qualidades próprias, em vez de serem tratados simplesmente como mais uma commodity.
Foi nesse contexto que, em 1974, ela utilizou a expressão “specialty coffee” (café especial) em uma edição da revista Tea & Coffee Trade Journal. A ideia estava relacionada a cafés produzidos em condições especiais, capazes de apresentar características e sabores únicos.
Erna também precisou romper barreiras profissionais. Em um setor dominado por homens, tornou-se uma das vozes mais importantes na valorização da qualidade, da origem e dos pequenos lotes de café.
Sua contribuição ajudou a abrir caminho para um movimento que cresceria nas décadas seguintes e transformaria a cafeicultura, a torra e o consumo.
Hoje, quando falamos em cafés especiais, origem, terroir, qualidade sensorial e valorização do produtor, encontramos parte do legado iniciado por pioneiros como Erna.
Duas mulheres, duas transformações
Melitta Bentz e Erna Knutsen viveram em momentos diferentes e atuaram em áreas distintas, mas deixaram marcas que permanecem na xícara.
Melitta transformou a maneira de preparar o café. Erna ajudou a transformar a maneira de reconhecer seu valor.
Neste Dia Internacional do Café, a nossa homenagem aos cafeicultores ao redor do mundo, que estão na origem de cada xícara, e a todos os profissionais que fazem o café acontecer: trabalhadores rurais, pesquisadores, agrônomos, cooperativas, classificadores, provadores, compradores, exportadores, importadores, mestres de torra, baristas, empreendedores e tantos outros.
Porque, antes de chegar à nossa xícara, o café passa por muitas terras e muitas mãos.
Do campo à xícara, o Dia Internacional do Café celebra as pessoas que cultivam, pesquisam, transformam, preparam e compartilham uma das bebidas mais apreciadas do mundo.
Feliz Dia Internacional do Café!
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