‘A Morte de Robin Hood’ se perde ao tentar desconstruir imagem do herói
Longa estrelado por Hugh Jackman não consegue desenvolver uma percepção profunda da famosa história da lenda
Cine R7|Lays Emily

Nos últimos anos, a subversão dos heróis se tornou um padrão nas telas. A proposta, em suma, é transformar figuras antes idealizadas em personagens humanos, falhos e complexos, carregados de defeitos, crises e traumas. Essa parece ser a premissa de A Morte de Robin Hood, longa que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13).
Protagonizado por Hugh Jackman, o filme reconstrói a imagem do famoso Robin Hood, figura heroica associada à prática de “roubar dos ricos para dar aos pobres”. O ato, que pode soar virtuoso, ganha um novo contexto na produção dirigida por Michael Sarnoski, aclamado por Um Lugar Silencioso: Dia Um.
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A Morte de Robin Hood promete apresentar uma versão do personagem mais violenta e sombria. Sarnoski consegue transmitir essa atmosfera principalmente por meio da ambientação, da trilha sonora mais densa e de sequências de batalha marcadas pela brutalidade.
No entanto, o filme parece não conseguir ultrapassar a barreira visual e estética. Hugh Jackman não é o responsável por isso. O ator entrega uma atuação capaz de traduzir o drama de um velho guerreiro, carregado de frustrações e remorso. O problema parece estar no desenvolvimento dos personagens e nas escolhas de narrativa.
No longa, Robin Hood vive isolado nas montanhas quando recebe a visita de Little John (Bill Skarsgård), seu antigo parceiro. O companheiro o convida para uma última batalha, mas Robin é surpreendido e acaba ferido.
Com a ajuda de John e da pequena filha do companheiro de batalha, o guerreiro é resgatado e levado para uma comunidade de curandeiros, onde passa a ser cuidado pela Irmã Brigid, interpretada por Jodie Comer.
Nesse novo ambiente, cercado por crianças e enfermeiras, Hood passa por um processo de autoavaliação e inicia uma jornada que o filme apresenta como uma espécie de acerto de contas com o próprio passado. É a partir daí que A Morte de Robin Hood parece se perder.
O Robin Hood de Sarnoski não emociona ou faz o público se envolver ao demonstrar as mudanças que o personagem tem em relação à percepção sobre suas escolhas.
Os simbolismos apresentados ao longo da produção também parecem não se comunicar entre si. Há ideias interessantes espalhadas pela narrativa, mas a sensação é de que nenhuma delas é realmente aprofundada.
A desconstrução de heróis se tornou uma tendência presente em grandes sucessos do streaming e do cinema, como a série The Boys e o longa Logan, no qual o próprio Jackman interpreta uma versão cansada do Wolverine.
Mas, para que essa abordagem funcione, é necessário que o público acompanhe e compreenda a transformação proposta. Caso contrário, as novas dinâmicas podem parecer incoerentes ou mal construídas.
É justamente essa sensação que A Morte de Robin Hood deixa. O filme parece ter uma ideia clara da reconstrução do mito heroico, mas não consegue desenvolver essa proposta de maneira suficientemente profunda para que ela tenha impacto.
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