‘O Fim da Rua’ convida o público a uma trama inocente em época de cinema cada vez mais real
Filme que estreou nesta quinta-feira (13) conta com a participação de Anne Hathaway e Ewan Mcgregor
Cine R7|Lucas Tinoco*

O Fim da Rua, que estreou em circuito brasileiro nesta quinta-feira (13), traz um frescor de aventura e fantasia para o cinema em um ano em que a procura é grande por filmes mais realistas, como A Odisseia, de Christopher Nolan.
A trama, extremamente simples, já mostra que nada vai ser realista: uma família é teletransportada, junto de sua vizinhança, à era dos dinossauros e deve procurar, então, uma maneira de escapar daquela situação.
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O Fim da Rua tenta sempre erguer uma bandeira infantil, inocente e familiar em meio a essa situação absurda.
O pai da família, Greg (Ewan McGregor), é retratado como uma criança, mesmo com 50 anos de idade. Ele é responsável e sempre tenta ajudar seus dois filhos, mas, além de se vestir e se portar igual a um garoto de 5 anos, acredita que um milagre possa resolver repentinamente aquela situação.
O olhar inocente de McGregor faz o personagem agir de uma forma extremamente ingênua.
Já a mãe, Denise (Anne Hathaway), se mostra o oposto. Apesar de possuir sonhos, como escrever livros, é desesperançosa em relação a tudo, até mesmo à sobrevivência da família neste passado de dinossauros predadores.
Ela sempre está com uma cara fechada e pensativa, o que a faz ser a líder desta família.
Essa dinâmica familiar traz um senso de união, mesmo com essas desavenças, que faz com que o espectador remeta diretamente a um cinema mais leve, como E.T.: O Extraterrestre ou até mesmo a Jurassic Park, fazendo da simplicidade algo emocionante e explosivo, com suas diversas cenas íntimas e de ação.
A direção de David Robert Mitchell também deixa isso muito evidente. Enquanto tramas mais dramáticas, como as tais brigas em meio a esse cenário, são filmadas de uma forma bem fechada, com ângulos que reforçam as feições dos protagonistas, a ação sempre mostra espaços extensos, que reforçam os cortes, o dinamismo e a exploração das sequências aventurescas e seus efeitos visuais.
Assim, os dinossauros, em computações digitais quase fotorrealistas, somente mostram que ainda há espaço no filme para a beleza de um cinema blockbuster e mais pipoca, onde há lugar para emoções e lágrimas do público, mas também para cenários e ameaças digitais que somente a arte cinematográfica consegue proporcionar.
O Fim da Rua é uma narrativa de ficção científica, cômica e explosiva sobre como, até mesmo em situações absurdas, a família deve sempre se manter unida, além de uma declaração de amor a um cinema mais esperançoso e inocente.
*Sob supervisão de Lello Lopes
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