‘Marido de Aluguel’ faz Maurício Manfrini um herói trapalhão em comédia com fórmula batida
Filme aposta no carisma do ator e em referências populares, mas exagera nas piadas e na trilha sonora
Cine R7|Guilherme Lins*, do R7

Marido de Aluguel, que chegou aos cinemas nesta quinta-feira (24), segue uma fórmula conhecida das comédias brasileiras: um protagonista atrapalhado e muitas piadas pelo caminho. Desta vez, quem assume essa missão é Maurício Manfrini, o eterno Paulinho Gogó, que interpreta Vadeco, um “marido de aluguel” que parece muito mais um herói trapalhão do que um simples funcionário.
A principal força do filme está justamente em Manfrini. Sua atuação combina muito bem com a inocência de Vadeco, que acaba se tornando alvo das brincadeiras dos outros personagens e protagonizando boa parte das situações engraçadas.
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É um tipo de humor que lembra outros trabalhos do ator, como Os Farofeiros, e mostra que ele continua funcionando muito bem nesse papel de alívio cômico.
Alice (Mariana Xavier) também encontra um bom parceiro em cena. Eles formam uma dupla divertida, com uma dinâmica que ajuda a sustentar o filme mesmo quando algumas piadas não acertam.
O restante do elenco acompanha bem a proposta, embora nenhum personagem tenha espaço para fugir muito do tom leve da produção.
Referências que funcionam

O filme também sabe brincar com referências conhecidas. Em determinado momento, uma situação envolvendo Vadeco e Alice traz inesperadamente o funk carioca da banda Jack e Chocolate, Um Morto Muito Louco, e consegue arrancar uma risada sincera.
Em outra passagem, uma cena remete claramente a Chaves e funciona justamente por mexer com uma memória afetiva bastante popular.
Esse é um dos méritos do longa: ele consegue trazer referências à cultura popular e também fazer piadas com assuntos atuais, incluindo inteligência artificial, sem abandonar sua proposta de comédia.
Por outro lado, nem todas as escolhas funcionam tão bem. A trilha sonora é exagerada em alguns momentos e acaba dando ao filme um tom infantil que nem sempre combina com as situações.
As piadas também oscilam: algumas são boas e inesperadas, enquanto outras insistem demais em determinados temas, principalmente nas brincadeiras envolvendo primo.

O filme ainda ensaia momentos de tensão, mas quase sempre prefere quebrar o clima com uma piada. Não chega a ser um problema, já que Marido de Aluguel claramente não pretende ser uma comédia dramática ou uma história com grandes pretensões.
A comparação com o estilo de comédia besteirol também faz sentido. São filmes feitos para uma sessão descompromissada, com personagens atrapalhados, humor simples e situações que não precisam ser levadas tão a sério. A diferença está justamente no jeito brasileiro de contar essa história.
Fiquei com a sensação de ter assistido a uma comédia que não quer complicar as coisas. E, em alguns momentos, é justamente isso que faz Marido de Aluguel funcionar num domingo à noite no sofá.
*Sob supervisão de Lello Lopes
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