‘Refém por um Fio’ é thriller que desafia a noção de herói
Longa, que estreou nesta quinta (20), marca a volta de Gus Van Sant ao cinema
Cine R7|Lucas Tinoco*
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Depois de quase uma década sem novos projetos no cinema, o diretor Gus Van Sant volta às telonas com um thriller emocionante. Refém Por um Fio, que estreou no Brasil nesta quinta-feira (20), reúne estrelas da velha e da nova geração de Hollywood, como Al Pacino, Bill Skarsgard e Dacre Montgomery.
A trama segue a história de Tony Kiritsis (Skarsgard), um jovem trabalhador que, ao ser enganado por um corretor imobiliário rico e famoso, decide sequestrar seu filho e o manter acorrentado a uma escopeta, enquanto relata, em meio a esse sequestro, as injustiças ocorridas com ele próprio.
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Inicialmente, é importante notar que, apesar de se ter um personagem principal na história, ele não necessariamente se mostra como o usual “mocinho” de filmes desse tipo.
Tony é uma pessoa perturbada, e Skarsgard tenta construir seu personagem como uma figura misteriosa, solitária e confusa. O que nem sempre gera uma empatia com o espectador.
Sua raiva, evidente pela interpretação de Skarsgard, é proveniente de uma série de acordos feitos com o tal corretor, interpretado por Al Pacino, mas se mostra muito mais ligada ao seu sentimento de injustiça em relação ao mundo, o que traz um total clima de ódio e conflito constante.
A direção de Van Sant acentua ainda mais o clima caótico, ao mostrar, de uma maneira entendível, o que levou esse homem a tomar essa atitude radical.
A câmera sempre se foca em Tony, em seus atos e em como ele se sente em relação àquela situação, que, segundo ele mesmo, era inevitável.
Mesmo sem tanto destaque, Al Pacino também se faz presente, não como vítima, apesar de ter seu filho, interpretado por Dacre Montgomery, sequestrado, mas como antagonista.
A figura do corretor é impiedosa e Pacino a compõe com uma feição inexpressível, despreocupado com a situação, nem ao menos se importando com a vida do filho. O que deixa a dúvida se ele é a vítima ou o vilão da história.
Tudo consegue ressaltar como, nesse jogo de contrastes, as ações dos personagens, moralmente erradas, se mostram certas dentro de alguns contextos e geram a discussão moral que o longa sempre instiga.
Ao final, Refém Por um Fio é um filme que sempre foca tensão e mostra que, em uma história, o personagem que comete os piores atos pode conseguir ser um herói.
*Sob supervisão de Lello Lopes
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