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‘Toy Story 5′ é atual, emocionante e menos ambicioso do que poderia ser

Filme da Pixar discute tecnologia e imaginação na infância, mas promete mais do que entrega

Cine R7|Maria Cunha

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • "Toy Story 5" discute o papel da tecnologia na infância, destacando a disputa entre imaginação e dispositivos eletrônicos.
  • O filme coloca Jessie como protagonista, explorando novos aspectos emocionais e conectando-se com "Toy Story 2".
  • A animação reflete sobre o tempo e a relevância, misturando brinquedos clássicos e tecnologia moderna.
  • Apesar de prometer uma discussão abrangente, o filme opta por uma conclusão mais confortável, deixando algumas questões de lado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

'Toy Story 5' mostra como as telas estão mudando a forma de brincar Divulgação

Toy Story 5 estreia oficialmente nesta quinta-feira (18) nos cinemas com uma missão difícil: provar que ainda existe uma história relevante para contar com Woody, Buzz e Jessie.

Em vez de apostar apenas na nostalgia, a Pixar encontra essa justificativa em um debate cada vez mais presente na infância contemporânea: ainda existe lugar para a imaginação em um mundo dominado pelas telas?


A resposta surge através de Bonnie, agora mais velha, e de uma nova ameaça ao universo dos brinquedos: LilyPad, um tablet que acredita saber o que é melhor para as crianças.

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Se antes o maior medo da turma era acabar esquecida no fundo de uma caixa, agora eles precisam disputar atenção com dispositivos eletrônicos capazes de oferecer entretenimento instantâneo.


A partir dessa premissa, a animação constrói uma reflexão interessante sobre infância e o impacto das telas, sem cair em um discurso simplista de que elas são vilãs. Pelo contrário: Toy Story 5 entende que o problema não está necessariamente na tecnologia, mas no que acontece quando ela ocupa sozinha o espaço do faz de conta.

Lilypad é a nova 'concorrente' dos brinquedos em 'Toy Story 5' Divulgação

Afinal, brincar nunca foi apenas passar o tempo. É através dessa experiência que crianças elaboram emoções e constroem relações. Em algumas das melhores sequências, as aventuras imaginárias de Bonnie ganham forma diante do público, reforçando a importância de algo que nenhum aplicativo consegue reproduzir.


Ao mesmo tempo, Toy Story 5 amplia uma discussão extremamente atual ao abordar temas como bullying, pertencimento e exclusão social, além dos impactos da convivência digital entre crianças. O filme encara a infância de hoje sem fingir que o mundo continua o mesmo de 1995.

Jessie assume a liderança do grupo em uma nova dinâmica entre os brinquedos Divulgação

Nesse contexto, a decisão de colocar Jessie no centro da narrativa funciona muito bem. Após anos dividindo espaço com Woody e Buzz, a vaqueira finalmente assume a liderança do quarto de Bonnie e ganha novas camadas emocionais.


O roteiro revisita elementos importantes de sua trajetória e cria uma conexão direta com Toy Story 2, trazendo de volta lembranças e feridas que a personagem carrega há anos.

Woody, porém, continua sendo peça fundamental da narrativa. Seu retorno não parece forçado e cria uma dinâmica interessante ao lado de Buzz, que vive uma trama paralela bastante divertida. O resultado é uma rivalidade mais afetiva do que competitiva, sustentada por décadas de amizade entre os personagens.

'Toy Story 5' mostra diferentes gerações de brinquedos coexistindo em um mundo dominado pela tecnologia Divulgação

A animação também encontra espaço para refletir sobre a própria passagem do tempo. Ao colocar lado a lado brinquedos clássicos, tecnologias consideradas ultrapassadas e dispositivos modernos, Toy Story 5 cria um retrato curioso sobre como tudo parece ter prazo de validade.

Além da discussão temática, o filme também se apoia em escolhas visuais que reforçam o universo já conhecido pelo público. A animação mantém a identidade clássica da franquia, enquanto a evolução tecnológica aparece nos detalhes, como no cabelo cacheado de Blaze, além de cenários e texturas que alcançam um nível de refinamento impressionante.

Já a “careca” de Woody não era apenas um detalhe curioso do marketing. Na tela, ela rende boas risadas e se encaixa perfeitamente em uma história que fala, o tempo todo, sobre aquilo que envelhece, muda ou corre o risco de ser deixado para trás.

O mesmo cuidado aparece na dublagem brasileira, que continua sendo um dos maiores patrimônios do audiovisual nacional. Ouvir Guilherme Briggs, Marco Ribeiro e Mabel Cezar novamente como Buzz, Woody e Jessie desperta uma nostalgia imediata.

Entre as novidades, Maísa encontra o tom certo para LilyPad, personagem que ganha ainda mais personalidade graças às adaptações voltadas ao público brasileiro. Já Rafael Infante garante alguns dos momentos mais engraçados da animação ao dar voz ao Amigo Rolinho.

'Toy Story 5' estreia oficialmente nos cinemas nesta quinta-feira (18) Divulgação

No entanto, nem tudo funciona com a mesma força ao longo da narrativa. Depois de construir uma reflexão ampla sobre o impacto das telas na infância, a história se concentra em um recorte mais específico do problema, deixando parte das questões levantadas no início pelo caminho.

A sensação é de que o filme abre uma discussão mais abrangente sobre a relação entre crianças, brinquedos e tecnologia, mas acaba optando por uma conclusão mais confortável, o que reduz o alcance do que ele próprio propõe.

Outro ponto que pode frustrar alguns espectadores é o uso da música de Taylor Swift. Após tanta expectativa, a canção aparece apenas nos créditos finais. A escolha soa como uma oportunidade desperdiçada, especialmente porque ela conversa tão bem com a trajetória emocional de Jessie ao longo da história.

Ainda assim, quando chega a hora de emocionar, Toy Story continua fazendo o que poucas franquias conseguem. É impossível não se envolver com personagens que acompanham gerações há mais de 30 anos e que continuam encontrando novas formas de falar sobre sentimentos profundamente humanos.

Afinal, por trás da discussão sobre brinquedos e tecnologia, o filme fala sobre algo muito mais universal: o desejo de pertencer. Em uma época em que tudo parece descartável, a animação lembra que todos queremos nos sentir importantes para alguém. Os brinquedos entendem isso melhor do que ninguém — e talvez seja justamente por isso que continuamos voltando para eles.

Vale a pena permanecer na sala após o final: Toy Story 5 tem uma cena pós-crédito que funciona como uma última brincadeira para os fãs da franquia.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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