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Patricia Lages

Pagamento de dívidas consome quase 30% da renda do brasileiro

Mesmo com Desenrola 2.0, endividamento bate recorde e atinge praticamente todas as faixas de rendimento

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Brasileiro sabe pagar dívidas, mas não sabe viver sem elas Joédson Alves/Agência Brasil- 15.03.2024

Três meses após o programa Desenrola 2.0, o endividamento das famílias brasileiras bateu mais um recorde. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), aponta que 82% das famílias estavam endividadas em julho, o maior percentual da série histórica, iniciada em 2010, e o sexto recorde consecutivo. Entre as famílias com renda de até três salários-mínimos, o índice chega a 84,9%, o maior registrado para a faixa.

Em média, 29,5% da renda das famílias está comprometida com dívidas. Esse percentual é superior aos gastos com alimentação (17,5%), saúde (6,5%) e educação (4,7%) somados. Mas para 19% a situação é ainda pior: mais da metade da renda é destinada ao pagamento de dívidas.


Desenrola foca em cortar galhos, mas o problema está na raiz

O objetivo do Desenrola é diminuir a inadimplência promovendo descontos de até 90% do saldo devedor, tão altos que chegam a ser quase um perdão de dívida. Mesmo focando na tarefa mais fácil: cortar galhos sem arrancar a raiz do problema, o programa não cumpriu seu objetivo até o momento. Segundo a Peic, a taxa de inadimplência passou de 29,9% em junho, para 29,8% em julho.

Embora a situação seja mais grave entre as famílias de menor renda, os números mostram que o endividamento se espalhou por praticamente todas as faixas de rendimento. Quando há aumento de renda, é comum que o padrão de consumo, das prestações e da dependência do crédito também aumente. Ou seja, a renda até cresce, mas a sensação de aperto financeiro se mantém.


Brasileiro sabe pagar dívidas, mas não sabe viver sem elas

É comum que em momentos de maior ganho, como o 13º salário e as férias, boa parte da população saia da inadimplência. Porém, menos de um ano depois, a maioria acaba se endividando novamente. Esse ciclo de endividamento só pode ser vencido tomando um caminho mais longo, o da educação financeira.

Porém, esperar que isso venha do poder público é, no mínimo, ingenuidade. Em um país onde pobreza e endividamento são promessas de campanha eleitoral, a tendência é continuar apenas administrando o problema.


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