Logo R7.com
RecordPlus
Como Ser Saudável

Atleta jovem pode ter problema no coração? 5 sinais que não devem ser ignorados

Morte do lutador Allan “Puro Osso”, aos 34 anos, reacende o alerta sobre doenças cardíacas silenciosas

Como Ser Saudável|Renata GarofanoOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A morte do lutador Allan "Puro Osso" aos 34 anos levanta preocupações sobre doenças cardíacas silenciosas em atletas.
  • Embora jovens atletas possam parecer saudáveis, eles podem ter condições cardíacas genéticas desconhecidas.
  • Sintomas como desmaio, dor no peito, palpitações e falta de ar devem ser investigados imediatamente.
  • Avaliação cardiológica pré-participação é crucial para atletas, especialmente com histórico familiar de doenças cardíacas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Allan 'Puro Osso' Nascimento teria sofrido um aparente problema cardíaco enquanto dormia Reprodução/Instagram/@allanpuroosso

A morte do lutador brasileiro de MMA Allan Nascimento, conhecido como “Puro Osso”, aos 34 anos, reacendeu o alerta sobre a saúde cardiovascular de atletas. Segundo informações divulgadas, o lutador teria sofrido um aparente problema cardíaco enquanto dormia. A causa da morte, no entanto, ainda precisa ser esclarecida.

O caso chama atenção porque existe uma associação comum entre boa condição física e um coração necessariamente saudável. Mas, embora seja raro, jovens e atletas também podem apresentar doenças cardíacas silenciosas capazes de provocar eventos graves.


Veja Também

“Na maioria dos casos, existe uma condição cardíaca estrutural ou elétrica silenciosa por trás, geneticamente determinada, muitas vezes desconhecida pelo próprio atleta, que treina e compete normalmente até o evento fatal”, explica Hugo Bellotti, cardiologista e diretor do Serviço de Arritmia e Estimulação Cardíaca do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Infarto e morte súbita não são a mesma coisa

Apesar de muitas vezes serem associados, infarto e morte súbita por arritmia são situações diferentes.


O infarto acontece quando uma artéria coronária é obstruída, interrompendo o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco. Já a morte súbita por arritmia ocorre quando o coração entra em um ritmo elétrico muito acelerado e desorganizado, comprometendo o bombeamento de sangue.

“Um infarto pode, inclusive, desencadear uma arritmia fatal; por isso os dois quadros muitas vezes se confundem no relato inicial, antes da investigação completa”, explica Bellotti.


Entre as condições que podem passar despercebidas estão cardiomiopatia hipertrófica, cardiopatia arritmogênica, síndrome de Brugada, síndrome do QT longo, miocardite e algumas anomalias congênitas das artérias coronárias.

De acordo com o cardiologista, muitas dessas doenças podem permanecer sem sintomas durante anos. Em alguns casos, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave.


A cardiomiopatia hipertrófica, por exemplo, está entre as principais causas de morte súbita em atletas jovens. Já algumas síndromes elétricas alteram o funcionamento do coração sem necessariamente provocar alterações estruturais perceptíveis.

Desmaio durante o exercício é sinal de alerta

Alguns sintomas não devem ser tratados simplesmente como consequência do esforço físico. Desmaio, dor no peito durante o exercício, palpitações que surgem repentinamente, falta de ar desproporcional ao esforço e tonturas recorrentes precisam ser investigados.

“São sinais de alerta que exigem avaliação cardiológica imediata — nunca devem ser tratados como ‘cansaço’ ou ‘falta de preparo’”, alerta o especialista.

Durante ou após o exercício, procure avaliação médica se apresentar:

  • Desmaio ou perda de consciência;
  • Dor no peito durante o esforço;
  • Palpitações que surgem repentinamente;
  • Falta de ar desproporcional ao exercício;
  • Tonturas recorrentes.

Quem pratica atividade física provavelmente já passou por isso: terminou um treino mais puxado, ficou ofegante, sentiu o coração acelerar e pensou que era apenas consequência do esforço. Na maioria das vezes, é exatamente isso. O problema é quando algum sinal foge do que já estamos acostumados a sentir e, mesmo assim, decidimos ignorá-lo.

A ideia não é transformar o exercício em motivo de medo. Pelo contrário. Correr, pedalar, fazer musculação ou qualquer outra atividade continua sendo uma das melhores formas de cuidar da saúde. Mas cuidar do coração também significa aprender a reconhecer quando o corpo está pedindo atenção.

Todo atleta precisa passar por avaliação cardiológica?

Para Bellotti, a avaliação cardiológica antes da prática esportiva deve fazer parte da rotina, especialmente entre atletas competitivos e pessoas que praticam exercícios de alta intensidade: “A recomendação internacional é que a avaliação cardiológica pré-participação seja rotina, não exceção”, afirma.

O primeiro passo é uma consulta clínica detalhada, que deve investigar sintomas, histórico pessoal e familiar. O cardiologista também recomenda, no mínimo, a realização de um eletrocardiograma (ECG) de repouso.

Dependendo dos resultados e dos fatores de risco identificados, outros exames podem ser solicitados, como ecocardiograma, teste ergométrico e, em casos selecionados, ressonância magnética cardíaca ou Holter de 24 horas.

Histórico familiar também importa

A investigação merece atenção especial quando existem casos de doenças cardíacas na família.

Segundo o especialista, morte súbita antes dos 50 anos em parentes de primeiro grau, diagnóstico de cardiomiopatias ou arritmias e casos de morte sem causa aparente são sinais que devem ser informados ao médico. Dependendo da situação, a investigação pode incluir até mesmo avaliação genética.

Excesso de treino pode sobrecarregar o coração?

A resposta não significa que praticar atividade física seja perigoso. Pelo contrário: o exercício regular é um importante aliado da saúde cardiovascular.

O problema pode estar no excesso de treinamento sem planejamento ou acompanhamento adequado: “Treinamento excessivo e sem periodização adequada está associado a arritmias, hipertrofia cardíaca desadaptativa e, em alguns casos, ao chamado ‘coração de atleta’ que ultrapassa os limites fisiológicos saudáveis”, explica Bellotti.

Por isso, volume e intensidade precisam ser individualizados.

Quem pratica corrida, crossfit, ciclismo ou musculação em alta intensidade deve ter atenção especial, principalmente quando existem fatores de risco como histórico familiar, hipertensão, colesterol alterado ou tabagismo.

A principal mensagem do especialista é que estar jovem e em boa forma física não elimina completamente o risco de doenças cardíacas.

Uma pessoa pode treinar regularmente, ter bom condicionamento e ainda assim apresentar uma alteração cardíaca silenciosa. Por isso, conhecer o histórico familiar, ficar atento aos sinais do corpo e buscar avaliação profissional antes de iniciar ou aumentar significativamente a intensidade dos exercícios são medidas importantes.

O objetivo não é ter medo de praticar esporte, mas treinar de maneira compatível com as condições e características de cada organismo.

Recomendações para você ficar de olho InteligênciaArtigicial/ChatGPT

O exercício continua sendo uma das melhores ferramentas para cuidar do coração. A diferença está em conhecer os próprios limites, respeitar os sinais de alerta e buscar orientação quando necessário.

Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.