Lancheira escolar: 5 erros que fazem o açúcar passar despercebido
Nutricionista explica como identificar ingredientes escondidos nos rótulos e montar combinações mais equilibradas para as crianças
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
Quem é mãe ou responsável por cuidar de criança em idade escolar sabe: montar a lancheira todos os dias parece uma tarefa simples, mas nem sempre é. Sou mãe de uma menina de 2 anos e meio e, por aqui, essa já faz parte da rotina. Procuro variar as opções e priorizar alimentos como iogurte zero, cereal sem açúcar e frutas. Mas será que, mesmo tentando fazer escolhas saudáveis, estamos realmente montando uma boa lancheira?

A dúvida é comum. Na correria, produtos industrializados acabam sendo escolhas práticas e rápidas, mas alguns podem esconder grandes quantidades de açúcar, mesmo quando a embalagem transmite uma ideia de alimento saudável.
Para ajudar os pais nessa missão diária, o Como Ser Saudável conversou com Geovana Orlando, nutricionista da Lowçucar, que explica os 5 principais erros na montagem da lancheira, ensina a identificar o açúcar escondido nos rótulos e mostra como fazer trocas mais equilibradas sem transformar o lanche da criança em um momento de restrição.
- O açúcar que pode passar despercebido
Sucos de caixinha, néctares, achocolatados, iogurtes aromatizados, granolas, barras de cereais e biscoitos estão entre os produtos que merecem atenção.
Segundo a nutricionista, um dos erros mais comuns é montar a lancheira principalmente com carboidratos refinados, como biscoitos e bolinhos, acompanhados de bebidas açucaradas. A combinação pode oferecer muita energia rapidamente, mas pouca variedade de nutrientes.
Outro problema é confiar apenas no que aparece na frente da embalagem: “É muito comum montar uma lancheira baseada em carboidratos refinados, geralmente de alto índice glicêmico, como biscoitos e bolinhos, acompanhados de bebidas açucaradas, sem pensar na variedade e na combinação dos diferentes grupos de alimentos”, explica Geovana.
A especialista também chama atenção para produtos que parecem saudáveis, mas podem conter açúcar adicionado em quantidades significativas.
- Como descobrir o açúcar escondido no rótulo?
Aqui está uma regra simples que pode ajudar no supermercado: olhe a lista de ingredientes, e não apenas a parte da frente da embalagem.
Os ingredientes aparecem em ordem decrescente de quantidade. Ou seja, o primeiro item é aquele presente em maior quantidade no produto.
Por isso, vale ficar atento quando açúcar ou ingredientes utilizados para adoçar aparecem logo no início da lista.
Entre os nomes que podem aparecer estão:
- xarope de milho;
- xarope de frutose;
- açúcar invertido;
- sacarose;
- glicose;
- dextrose;
- melaço;
- extrato de malte.
“Se o açúcar ou um de seus ‘disfarces’ estiver entre os três primeiros ingredientes, aquele alimento é predominantemente açúcar”, orienta a nutricionista.
- E quando aparece “fit”, “natural”, “integral” ou “zero”?
Nem sempre essas palavras significam que o produto é a melhor escolha para a criança.
“Fit” e “natural”, por exemplo, podem ser usados como apelos de marketing. Já a palavra “zero” exige atenção: é preciso descobrir zero o quê? Um produto pode ser zero gordura, mas ainda ter açúcar.
A recomendação é observar a composição completa e, quando possível, escolher produtos com uma lista de ingredientes mais simples e que façam sentido para a alimentação da criança.
- O que não pode faltar em uma lancheira equilibrada?
Não existe uma fórmula única. A necessidade varia de acordo com a idade da criança, rotina, nível de atividade física e alimentação ao longo do dia.
Mas a nutricionista sugere pensar em três pilares:
Hidratação: a água deve estar presente. Água de coco e chás sem açúcar também podem ser opções, dependendo da idade e dos hábitos da criança.
Frutas ou vegetais: ajudam a oferecer fibras, vitaminas e minerais. Banana, mexerica, uvas sem sementes, melancia e cenoura são alguns exemplos.
Energia e saciedade: uma fonte de carboidrato pode ser combinada a alimentos que contribuam para a saciedade, como proteínas e fibras. Um sanduíche integral com queijo ou biscoito acompanhado de fruta são algumas possibilidades.
Na prática, isso significa que a lancheira não precisa ser complicada.
Uma fruta que a criança aceita bem, uma fonte de proteína e um alimento que forneça energia já podem formar uma combinação mais interessante do que simplesmente colocar vários produtos industrializados juntos.
- Precisa cortar completamente biscoitos e doces?
Não.
E essa talvez seja uma das partes mais importantes para quem está tentando melhorar a alimentação dos filhos: uma lancheira saudável não precisa ser uma lancheira perfeita.
De acordo com Geovana, proibir completamente doces e biscoitos pode tornar esses alimentos ainda mais desejados e dificultar uma relação equilibrada com a comida: “O caminho está no equilíbrio e em ajudar a criança a ampliar, aos poucos, suas escolhas alimentares”, afirma a nutri.
A ideia é que esses alimentos não sejam a base da alimentação, mas possam aparecer eventualmente dentro de uma rotina variada.
Isso também vale para o ambiente escolar. O momento do lanche tem uma dimensão social importante: é quando a criança come, conversa e troca experiências com os amigos.
Por isso, mais do que criar uma lista enorme de alimentos proibidos, o objetivo é ensinar a criança a fazer escolhas variadas e entender, aos poucos, o papel de cada alimento.
Trocas inteligentes podem facilitar a rotina
Para reduzir o excesso sem transformar a lancheira em uma lista de proibições, uma estratégia é fazer substituições simples, também conhecidas como clean swaps: trocar produtos com maior quantidade de açúcar por alternativas com composição mais adequada, mantendo praticidade e, quando possível, características que a criança já gosta.
Essa estratégia também pode ser útil para famílias que precisam lidar com restrições alimentares. Produtos formulados sem açúcar adicionado e sem lactose, como os biscoitos da linha Lowçucar por exemplo, podem ampliar as possibilidades de lanche para crianças que não consomem lactose, desde que façam sentido dentro da alimentação individual de cada criança.

A ideia, explica a nutricionista, não é simplesmente trocar um produto por outro e considerar a missão cumprida, mas observar a composição como um todo e buscar variedade.
“O objetivo da lancheira é nutrir, dar energia para o aprendizado e formar um paladar consciente. Quando oferecemos trocas inteligentes sem açúcar e sem lactose, eliminamos o excesso calórico mantendo o prazer da merenda com os amigos”, afirma Geovana.
E na correria? Dá para fazer melhor sem complicar
Na rotina real, nem sempre existe tempo para preparar receitas elaboradas antes de levar a criança para a escola.
E tudo bem.
Uma das estratégias mais eficientes é pensar em combinações simples, em vez de buscar uma lancheira perfeita todos os dias.
Fruta + iogurte + cereal sem açúcar.
Banana + pão integral + queijo.
Uvas + sanduíche pequeno + água.
Melancia + iogurte + uma opção de carboidrato.
São apenas exemplos. O importante é observar a composição do lanche e variar os alimentos ao longo da semana. Aos poucos, a criança também vai conhecendo novos sabores e construindo suas preferências.
No fim, a lancheira real está longe de ser perfeita e, talvez, nem precise ser. Entre a rotina corrida, a preferência da criança e o que cabe na mochila, o mais importante é aprender a fazer escolhas melhores na maior parte dos dias.
Porque, quando o assunto é alimentação infantil, equilíbrio também cabe na lancheira.
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