Logo R7.com
RecordPlus
Patricia Lages

Análise: Nem Giorgio Armani escapa do feminismo que não pensa

O posicionamento do estilista italiano Giorgio Armani sobre a imagem das mulheres em anúncios publicitários causou alvoroço e dividiu opiniões

Patricia Lages|Do R7

  • Google News
O estilista Giorgio Armani
O estilista Giorgio Armani

Aos 85 anos de idade e mais de 40 de carreira, Giorgio Armani é, sem dúvida, um dos estilistas mais renomados no mundo da moda. Como designer independente, ou seja, dono de uma grife com o próprio nome, ele chegou a ser considerado o mais bem-sucedido do mundo, com uma fortuna de mais de 7 bilhões de dólares.

Mas nem mesmo um ícone fashion do calibre de Armani está livre da gritaria que o feminismo que não raciocina é capaz de fazer. E tudo por uma frase do estilista sobre a forma como a publicidade tem explorado a imagem da mulher.


“Há muita conversa sobre as mulheres serem estupradas, mas hoje as mulheres são regularmente violadas por estilistas. Em alguns anúncios são exibidas de maneira provocativa, seminuas, e muitas se sentem pressionadas a posarem assim. Isso para mim é estupro. É inadequado.”

Ao ouvir a frase de Armani, o “não é não” — uma das bandeiras do carnaval brasileiro — e o “me too” — divulgado à exaustão pelas celebridades de Hollywood — foram automaticamente esquecidos pelo feminismo acéfalo.


Ora, se as mulheres têm o direito de que o seu não seja respeitado e de que não tenham de conviver com o assédio sexual no ambiente de trabalho, por que não se vê problema quando as modelos são obrigadas a aceitar a exposição de seus corpos contra a sua vontade? E por que o posicionamento de uma pessoa que tem mais tempo de profissão do que muitos de seus críticos têm de idade culmina em uma enxurrada de ofensas? Não seria porque esse feminismo moderninho não para nem mesmo um minuto para raciocinar?

A imagem da mulher tem sido usada e abusada para vender todo tipo de produto e isso é fato. Mas a pergunta que fica é: por que o movimento feminista de hoje em dia se cala diante de anúncios que inferiorizam e desvalorizam a imagem da mulher? A indústria da moda chegou ao cúmulo de exibir um anúncio onde uma modelo era violentada por três homens que tentavam tirar suas roupas. Sim, uma mulher e três homens em uma cena de estupro. E o que ouvimos a respeito disso foi apenas o silêncio ensurdecedor dos politicamente corretos. 


A questão é que, quando alguém pensa diferente e tem coragem de expor uma opinião que rema contra a maré, a histeria se levanta. O respeito e a tolerância de que tanto falam — mas que não praticam — vai por água abaixo, mesmo quando se trata de ninguém mais, ninguém menos que Giorgio Armani. Não rezou na cartilha do politicamente correto, vai levar pedrada! Mas tudo bem, afinal de contas, ninguém atira pedra em árvore que não dá fruto.

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta o quadro "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patricia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as terças e quintas.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.