Logo R7.com
RecordPlus
Patricia Lages
‌

Após 37 medidas que elevam impostos, governo quer mais taxações em 2026

Recordes de arrecadação parecem não ser suficientes para cobrir gastos do governo

Patricia Lages|Patricia LagesOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Governo cria 37 medidas para criar ou aumentar impostos, uma a cada 25 dias Ricardo Stuckert / PR - 29.05.2025

No primeiro semestre de 2025, a arrecadação de impostos do governo federal bateu mais um recorde: R$ 1,425 trilhão. O recorde anterior também foi do atual governo: R$ 1,38 trilhão em 2024. Em 32 meses de mandato, o governo Lula propôs 37 medidas para aumentar a arrecadação, em média, uma a cada 25 dias.

Embora várias dessas medidas estejam em vigor, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em uma reunião do CDESS: “Ninguém está aumentando carga tributária. Não se criou imposto, não se aumentou alíquota.”

‌

Lula estreou o primeiro dia de governo revogando a redução das alíquotas de PIS/Cofins sobre receitas financeiras. De lá para cá, só para citar algumas das novas taxações e aumentos de impostos, tivemos: “taxa das blusinhas” (com direito a primeira-dama afirmando que o consumidor não seria taxado, mas “apenas as empresas”), impostos sobre gasolina, etanol, diesel e biodiesel, aumento no imposto de importação de painéis solares e de importação de veículos elétricos e híbridos e criação do Imposto Seletivo.

O governo também pretende adotar um modelo de tributação sobre o consumo criando o Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) brasileiro. O sistema facilita o recolhimento das empresas e evita o efeito cascata, onde paga-se imposto sobre imposto. Porém, estimativas do Ministério da Fazenda apontam que a alíquota deve ser de 28,55%, superando o IVA de 27% da Hungria, o que tornaria o IVA brasileiro, o maior do mundo.

‌

Quando o assunto é imposto sobre herança, Fernando Haddad afirmou que o Estado “tem o direito e até o dever” de tributar heranças para que filhos “não sejam parasitas na sociedade”. A ideia é que o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) passe a ter alíquotas variando de 2% a 8%, conforme o valor do patrimônio. Em São Paulo, por exemplo, a alíquota é fixa em 4%.

O ministro também apoia a taxação dos “super-ricos” e diz que a arrecadação ajudaria no combate à fome e à pobreza. Porém, países que adotaram a medida enfrentaram evasão de milionários e queda na arrecadação.

‌

Além disso, o governo trouxe de volta a oneração da folha de pagamento, estabeleceu retirada do ICMS da base de cálculo dos créditos de PIS/Cofins (o que aumenta o volume de tributos efetivamente pagos) e tentou acabar como Perse, programa criado na pandemia para auxiliar setor de eventos e turismo. Porém, por pressão do Congresso, acabou recuando.

E na contramão de incentivar a população a investir para um futuro mais seguro, só de medidas para criar e aumentar impostos sobre investimentos tivemos:

‌

• Criação de alíquota única de 17,5% em diversos tipos de investimentos, como CDB, Tesouro Direto, fundos, debêntures, ações, entre outros;

• Criação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas Mínimo;

• Criação de imposto sobre Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs);

• Aumento do IOF para planos de previdência VGBL;

• Mudança da alíquota de IR para fundos em geral (renda fixa, multimercados, ETFs);

• Nova alíquota para tributação de ações e fundo de ações;

• Fim de isenção de IR para LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas, fundos imobiliários (FIIs) e Fiagro.

Mas quando se trata de cobrir gastos do governo, dinheiro nenhum parece ser suficiente.

Para 2026, o governo pretende aumentar mais impostos para, segundo o ministro Haddad, “tentar fechar as contas no orçamento do ano que vem”.

A MP 1.303 propõe o aumento da tributação sobre empresas (que invariavelmente impacta na composição de preços pesando no bolso do consumidor), “fintechs”, apostas em plataformas de jogos, além de aumentos em investimentos. Com isso, o governo esperar aumentar em R$ 21 bilhões a arrecadação de 2026, mas a MP precisa ser votada até o início de outubro ou perderá a validade.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.