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Patricia Lages

O que aconteceria se sua carreira deixasse de ser guiada pelo medo?

Mercado de trabalho em transformação, fragilidade financeira e avanço tecnológico alimentam receios legítimos

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Ter medo faz sentido diante de um futuro do trabalho muito diferente daquele para o qual fomos preparados ABC do ABC

Você pode ter medo de perder o emprego, de não saber lidar com uma nova tecnologia ou de descobrir, a certa altura da carreira, que sua experiência já não tem o mesmo valor no mercado. Todos esses receios fazem sentido diante de um futuro do trabalho muito diferente daquele para o qual fomos preparados.

Ter um diploma deixou de ser garantia de uma carreira bem-sucedida, assim como estar empregado deixou de ser sinônimo de estabilidade. A cada dia surgem novas exigências, o que aumenta a sensação de que o tempo fica cada vez mais escasso. É como se corrêssemos em uma esteira elétrica, empenhando cada vez mais esforço, mas sem sair do lugar.


Quando isso acontece, o medo deixa de ser um alerta positivo, capaz de estimular você a se preparar para as mudanças, e passa a limitar suas escolhas profissionais. É nesse ponto que um receio legítimo pode se transformar em uma crença que paralisa.

É justamente essa relação entre medo, crenças e escolhas que o escritor e conferencista espanhol Borja Vilaseca explora no livro “O que você faria se não tivesse medo?” (Ed. Principium). Ao discutir as transformações do trabalho e a necessidade de se reinventar profissionalmente, o autor propõe uma mudança de perspectiva: em vez de tentar controlar o cenário, reconhecer a responsabilidade que cabe a cada um e agir a partir dela.


A primeira proposta é separar aquilo que está sob seu controle daquilo que não está. O ritmo da inovação tecnológica, as condições da economia e as regras do mercado de trabalho fogem ao seu alcance. Porém, preparar-se para essas mudanças, desenvolver as competências necessárias e buscar alternativas dentro da sua realidade depende de você. Para Vilaseca, assumir responsabilidades é deixar de usar as incertezas do ambiente como motivo para abrir mão das próprias escolhas.

A segunda é transformar o medo em movimento. Em vez de esperar que ele desapareça, a ideia é usá-lo como sinal de que alguma atitude é necessária. Isso pode significar aprender algo novo, sair da zona de conforto, reorganizar a vida financeira ou testar uma possibilidade profissional antes de dar um salto maior. A meta é impedir que o medo determine aquilo que você nem sequer se permite tentar. Eliminá-lo por completo não é possível, nem necessário.

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