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Patricia Lages
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Análise: Onde está o salvador da nossa pátria?

O sucesso vem de atitudes de sucesso e, para ter atitudes de sucesso, é necessário ter disciplina. E para ter disciplina é preciso fazer sacrifícios

Patricia Lages|Patricia Lages

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Evitamos a todo custo sair da zona de conforto
Evitamos a todo custo sair da zona de conforto

Se há uma coisa que incomoda os seres humanos é a mudança. Nosso dia a dia é repleto de hábitos que nos trazem certa segurança, por isso, mesmo sem perceber, evitamos a todo custo coisas que nos tirem da nossa zona de conforto.

Por isso o sucesso incomoda tanto boa parte dos brasileiros e as pessoas bem-sucedidas são vistas quase sempre com maus olhos. O sucesso vem de atitudes de sucesso e, para ter atitudes de sucesso, é necessário ter disciplina. E para ter disciplina é preciso fazer sacrifícios. Mas quem quer uma coisa dessas? Mudar hábitos tão confortáveis e passar a viver com disciplina? Ah, não!

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A cultura brasileira não promove nem premia as pessoas disciplinadas, ao contrário, as trata com desprezo e as torna alvo de chacota. Quem estuda com afinco é CDF, quem trabalha com esmero é caxias, puxa-saco e por aí vai...

Somos o país do “jeitinho”, do “deixa como está para ver como é que fica” e de um pensamento que chamo de “síndrome da loteria”, onde as pessoas acreditam que um dia elas vão ganhar muito dinheiro. Elas não creem que a prosperidade vem do trabalho dia após dia, mas sim, de alguma mágica que está por vir, sabe-se lá quando.

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Isso faz com que muitos passem a vida esperando esse dia chegar, passivamente, pacientemente, sem fazer muita coisa além de aguardar a “sorte” (ou o azar) mudar. E esse comportamento se vê nas mais diferentes esferas da sociedade, como se, apesar de adultos, ainda acreditassem em contos de fada.

Nós não somos ensinados a fazer um pouco a cada dia para que, no final de um ano, tenhamos feito muitas coisas, mas sim, a “levar a vida” até que algo aconteça algum dia e as coisas melhorem naturalmente, sem que tenhamos que fazer grandes coisas.

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Com isso, muita gente acredita que um dia surgirá um salvador da pátria. Uma pessoa que vai dar um jeito em tudo e trará esperança aos milhões de brasileiros que anseiam por uma vida melhor. Então, enquanto esse messias não chega, seguimos fazendo tudo igual.

Continuamos sendo o país do jeitinho, com pessoas passando as outras para trás em toda e qualquer oportunidade, comprando carteira de habilitação, levando atestado médico falso para não perder o dia de trabalho, incentivando a pirataria, depredando patrimônio público, vendendo voto ou votando na base da brincadeira. Afinal de contas, o que nós podemos fazer enquanto “alguém” não dá jeito nesse país, não é mesmo? 

Precisamos ser protagonistas da nossa própria história, mas, para isso, não são discursos vazios que irão funcionar. Temos que assumir a nossa responsabilidade como sociedade e fazer a nossa parte, deixando de culpar os políticos por tudo e por nada. Aliás, é bom lembrar que eles estão lá legitimamente eleitos por voto popular.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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