“Feito por humano” promete ser novo diferencial competitivo
Movimento crescente busca criar certificações para diferenciar produção humana das geradas por IA

Bastam menos de dez minutos nas redes sociais para perceber que estão repletas de publicações geradas por Inteligência Artificial. O mesmo padrão de imagens e textos com estruturas repetitivas, em que o vocabulário é genérico, tudo vira lista, travessões surgem aos montes e construções cansativas, como “não é X, é Y” ou “isso vira o jogo” estão por toda parte.
A rapidez na criação de conteúdo causou uma explosão no número de postagens que, por sua vez, parecem ter influenciado a forma como as pessoas estão se comunicando. Isso porque as mesmas repetições mecânicas já estão presentes tanto em e-mails e mensagens por aplicativo, quanto nas conversas presenciais. A facilidade do copiar e colar fez muita gente desligar o cérebro e produzir conteúdo pasteurizado, vazio, sem alma.
Por conta disso, um movimento crescente, formado por iniciativas independentes de várias partes do mundo, vem buscando criar um padrão de certificação para diferenciar produções humanas das geradas por IA. A aposta é que, num futuro próximo, o diferencial competitivo e de maior valor agregado estará justamente nas criações humanas.
O selo Human Authored (Autoria Humana), criado pela associação americana de escritores Authors Guild, é a iniciativa mais relevante até o momento no mercado de livros. A certificação exige que o texto seja criado por um ser humano, e o uso de ferramentas de IA deve se limitar a corretores ortográficos e pesquisas.
Outro movimento é o Done by Human (Feito por Humano) que consiste em fornecer um selo que pode ser usado em ilustrações, matérias jornalísticas, reportagens e produções de estúdios de criação e agências de publicidade.
Entre as diversas iniciativas, talvez a que mais se aproxime de uma certificação oficial seja a Human Mark (Marca Humana), que funciona quase como um cartório digital, criando um registro público da autoria humana da obra. O sistema não substitui o copyright (registro de direito autoral), mas ajuda a documentar a autoria.
A Inteligência Artificial popularizou a criação de conteúdo, mas, ao contrário do que muitos poderiam pensar, não substituiu a criatividade humana. Pelo contrário, a tendência parece apontar para a valorização das criações de pessoas reais, que podem passar a ser vistas como um diferencial em meio à produção em massa.
Talvez estejamos nos aproximando de um momento inédito na história em que a autoria humana deixará de ser presumida e terá de ser comprovada. Se isso acontecer, as certificações poderão se transformar em selos de excelência. A tecnologia pode reproduzir padrões e acelerar processos, mas experiência, sensibilidade, repertório, consciência e originalidade continuam sendo atributos humanos que imprimem uma assinatura que nenhuma máquina é capaz de replicar.
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