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Patricia Lages

Quando foi que normalizamos defeitos como virtudes?

Processo de infantilização da sociedade produz fraqueza emocional e alimenta a cultura da ingratidão

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6 Sinais indubitáveis de criação por pais com imaturidade emocional
Fugir de responsabilidades, tratar discordância como ofensa e confundir frustração com injustiça: comportamentos negativos rebatizados como virtudes

Um conjunto de comportamentos que, não muito tempo atrás, seriam inimagináveis, foi se instalando quase silenciosamente até dar origem a uma cultura que grita tão alto hoje em dia que é impossível ignorar.

Adultos fugindo de suas responsabilidades, tratando qualquer discordância como ofensa, confundindo frustração com injustiça, esperando que seus desejos sejam transformados em direitos e cobrando reconhecimento pelo que não passa de obrigação.


Como se não bastasse, culpam terceiros pelos próprios fracassos, rompem relações ao menor sinal de conflito e ainda exigem respeito, mesmo sem praticá-lo, como se fosse fruto de reivindicação, e não algo a ser conquistado.

Ao contrário do que se pretende com esse tipo de comportamento, o que ele reflete, na verdade, é insegurança e imaturidade. Mas, quando aparecem com novos nomes, como


autocuidado, liberdade, autenticidade, independência, passam a ser não só tolerados, mas, muitas vezes, celebrados como virtudes.

E, para completar a lista (que cresce a cada dia), temos agora um verdadeiro culto à ingratidão. A cultura do “não devo nada a ninguém” transformou a ingratidão em sinal de empoderamento quando, na verdade, ela é um dos maiores indicadores de fraqueza.


Não ser grato às pessoas que, de alguma forma, nos ajudam a trilhar o caminho da vida demonstra mais do que simples egoísmo. Quem não reconhece a parcela de mérito dos outros em suas próprias conquistas revela o medo de se sentir inferior, típico de quem possui uma defesa psíquica frágil.

A frase “não devo nada a ninguém”, com todas as suas variantes, jamais deveria ser vista como uma fala de alguém forte e independente. Mas, na cultura de hoje, além de aceita, conceitos assim têm sido ensinados como virtude.


Embora esse tipo de narrativa esteja cada vez mais enraizada em nossa sociedade, é preciso questionar, ponderar e, principalmente, buscar uma resposta para a grande questão que surge a partir de tudo o que estamos testemunhando: a quem interessa encorajar atitudes que tornam as pessoas inseguras, imaturas e emocionalmente fracas?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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