Logo R7.com
RecordPlus
Aprendiz de cozinheira

Dia do Brigadeiro: docinho de campanha política vira símbolo da doçaria nacional

Roteiro traz estabelecimentos pelo Brasil que vendem variações criativas do doce; teste receitas de brigadeiros diferentes em casa

Aprendiz de Cozinheira|Aline SordiliOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Brigadeiro belga, do Açucareiro da Nana, em São Paulo
Brigadeiro belga, do Açucareiro da Nana, em São Paulo Divulgação

O registro mais antigo do doce brigadeiro foi publicado em 1949. A ligação provável é com a campanha política de Eduardo Gomes, mas a história da criação e da venda do doce por suas apoiadoras continua sem comprovação.

Independentemente da origem, o Brasil escolheu uma data para celebrar esse doce tão querido: dia 10 de setembro é o Dia do Brigadeiro. E os mais empolgados já até transformaram setembro no mês do brigadeiro.


Em 30 de abril de 1949, a revista O Cruzeiro ensinou três docinhos para festas. Entre eles estava o brigadeiro. A receita apresentada por Helena B. Sangirardi levava duas latas de leite condensado, duas colheres bem cheias de chocolate em pó e granulado ou confeitos coloridos.

A mistura ia ao fogo até deixar aparecer o fundo da panela. Depois de fria, era enrolada e coberta. Naquela época, nenhuma manteiga. Esse é o registro impresso mais antigo localizado até agora com o nome “Brigadeiro” e uma pequena encrenca para quem trata a receita como única e imutável.


A publicação também não funciona como certidão de nascimento do doce. Receitas domésticas podem circular por anos em cadernos particulares, conversas e cozinhas antes de chegar a um jornal ou livro.

Helena B. Sangirardi não reivindicou a invenção. Pelo contrário, escreveu como quem apresentava algo já conhecido. Depois de três meses, a própria revista incluiu o brigadeiro numa relação de doces ao lado de cajuzinhos, cocadas e sequilhos, sem explicar do que se tratava. O nome aparentemente já dispensava apresentação.


Em setembro do mesmo ano, uma leitora identificada como Ida, de Porto Alegre, contestou a fórmula. Para ela, aquela mistura de leite condensado com chocolate era “bombom de doce de leite”. Seu brigadeiro exigia cozinhar primeiro a lata fechada por cerca de uma hora e só depois acrescentar o chocolate.

A carta mostra que o doce já circulava entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, embora o nome ainda pudesse designar preparos diferentes. A discussão sobre a receita correta, portanto, começou quase tão cedo quanto o próprio registro do brigadeiro.


A versão mais repetida sobre sua origem volta a 1945, quando Eduardo Gomes concorreu à Presidência pela União Democrática Nacional. Militar da Aeronáutica e personagem do movimento dos 18 do Forte, ele era apresentado pela patente de Brigadeiro. Sua campanha buscava o eleitorado feminino e explorava a condição de solteiro do candidato. Um dos slogans atribuídos às apoiadoras era terrivelmente triste para os dias de hoje. “Brigadeiro! Brigadeiro! É bonito e é solteiro!”, repetiam as apoiadoras.

O pesquisador Pedro von Mengden Meirelles examinou jornais, revistas e livros de receitas do período e não encontrou, em 1945, notícia, anúncio ou relato que registrasse a fabricação e a venda daquele docinho para financiar a candidatura. A campanha existiu, a mobilização das mulheres está documentada e o candidato era conhecido como Brigadeiro. A criação do doce por suas apoiadoras aparece em relatos posteriores.

A atribuição da invenção a Heloísa Nabuco de Oliveira enfrenta o mesmo problema. Não há fonte contemporânea conhecida que a identifique como autora da receita.

A história do doce começa bem antes da eleição. O leite condensado importado já era vendido no Rio de Janeiro em 1866. A fabricação nacional ganhou escala em 1921, quando a Nestlé passou a produzir as marcas Moça e Ararense em Araras, no interior de São Paulo.

A empresa anunciava o produto, distribuía livretos e ensinava seu uso em sobremesas. Ainda assim, livros culinários examinados de 1912, 1927, 1929 e 1940 não traziam a combinação de leite condensado e chocolate que reconhecemos como brigadeiro. A existência dos ingredientes, porém, não revela quando alguém os colocou na mesma panela.

Nos anos 1940, a escassez de leite fresco, a alta de preços e as dificuldades de abastecimento ampliaram o espaço dos leites conservados na cozinha brasileira. Jornais publicaram recomendações para o uso de leite em pó ou condensado, registraram importações emergenciais e começaram a trazer sobremesas preparadas com o produto.

Na década de 1950, o brigadeiro já havia escapado de qualquer tentativa de permanecer igual. Em 1955, uma receita recomendava colocar uma passa embebida em vinho dentro de cada bolinha. Outra apresentava o doce cortado em quadrados e decorado com glacê.

Em 1958, o Diário de Pernambuco publicou no Recife uma fórmula próxima à de 1949, feita com leite condensado, chocolate e confeitos. A circulação pelo Nordeste mostra que o brigadeiro já se espalhava pelo país e se tornava uma categoria culinária capaz de receber variações.

No Rio Grande do Sul, o doce ganhou o nome de negrinho. O uso regional é consolidado. A própria carta enviada de Porto Alegre em 1949 empregava as palavras “brigadeiro” e “bombom de doce de leite”, sem mencionar negrinho.

A ligação com as festas infantis, por sua vez, aparece desde o primeiro registro. Helena B. Sangirardi recomendou a receita de abril de 1949 para festas de criança. Em julho, o brigadeiro já figurava no cardápio de uma “festinha simples e íntima”.

Documentos anteriores mostram mesas infantis concentradas em bolos e biscoitos maiores. Nos anos 1950, os pequenos doces aparecem com mais frequência. O brigadeiro não criou sozinho o formato da festa brasileira, mas encontrou ali o lugar onde cabia perfeitamente como uma porção pequena, enrolada à mão, fácil de dividir e servida em forminha.

O leite condensado ajudou nessa expansão. Boa parte do trabalho de concentrar o leite e o açúcar já chegava pronta na lata. A cozinha doméstica precisava completar a operação no fogo, esperar o ponto, esfriar e enrolar.

O Dia do Brigadeiro celebra um doce sem autor, cidade ou data de nascimento comprovados. Mas é irresistível! Hoje, o brigadeiro também aparece como recheio, cobertura e ponto de partida para outras criações. É até mesmo usado como “argamassa” no que os brasileiros chamam de palha italiana!

Eu gosto ainda mais das variações de hoje em dia, com capim santo, pistache, caramelo salgado, paçoca, Ninho, Nutella, doce de leite. O brigadeiro também pode ganhar textura com castanhas, ser usado para envolver frutas, como o brigadeiro de uva ou o morango do amor, ou até receber bacon. Além de tudo, o docinho é muito versátil. Não há dúvidas!

Abaixo, quatro receitas completas e um roteiro de 14 estabelecimentos pelo Brasil com o brigadeiro em diferentes formas e sabores.

RECEITAS DE BRIGADEIRO

Brigadeiro no Copinho de Chocolate da Harald

Ingredientes

Brigadeiro

  • 200 g de leite condensado (½ lata)
  • 100 g de creme de leite (½ caixa)
  • 10 g de manteiga sem sal (1 colher de sopa rasa)
  • 15 g de glucose (1 colher de sopa)
  • 15 g de Melken Chocolate em Pó 100% Cacau (1½ colher de sopa)
  • 40 g de Melken Chocolate Meio Amargo (¼ de xícara picado)

Ganache

  • 340 g de Cobertura TOP Meio Amargo
  • 64 g de creme de leite (¼ de caixa)
  • 36 g de manteiga sem sal

Copinhos e finalização

  • 300 g de Cobertura TOP Meio Amargo
  • 100 g de Melken Vermicelli ao Leite

Modo de preparo

Derreta a Cobertura TOP Meio Amargo de acordo com as instruções do fabricante. Preencha as cavidades da forma até a marcação, encaixe a parte de silicone e a segunda parte de acetato e pressione para distribuir a cobertura. Leve à geladeira por cerca de dez minutos, ou até firmar, desenforme e reserve.

Para a ganache, derreta a cobertura em banho-maria ou no micro-ondas. Aqueça o creme de leite até começar a ferver, despeje-o sobre a cobertura derretida e misture até ficar homogêneo. Incorpore a manteiga em temperatura ambiente e deixe esfriar até atingir consistência para rechear.

Para o brigadeiro, misture o leite condensado, o creme de leite, a manteiga, a glucose, o cacau em pó e o chocolate Melken em uma panela. Cozinhe em fogo médio, mexendo sempre, até a massa desgrudar do fundo. Transfira para um prato untado e deixe esfriar completamente. Modele pequenas esferas e passe-as no Vermicelli ao Leite.

Recheie os copinhos com a ganache fria e finalize cada um com uma esfera de brigadeiro.

Brigadeiro de manga da Mococa

Rende 30 brigadeiros de 12 g cada. O preparo ativo leva 20 minutos, além de cerca de 6 horas de descanso da massa em temperatura ambiente. Segundo a fabricante, a validade é de 2 dias em temperatura ambiente, 5 dias sob refrigeração ou 90 dias no congelador.

Ingredientes

Brigadeiro

  • 1 caixa de Mistura Láctea Condensada Mococa (395 g)
  • ½ caixa de Mistura de Creme Mococa (100 g)
  • 2 colheres (sopa) de Manteiga Mococa (30 g)
  • 1 xícara (chá) de manga em cubos (200 g)

Finalização

  • 1 xícara (chá) de leite em pó (100 g)
  • 1 colher (sopa) de corante alimentício amarelo em pó (10 g)
  • 1 colher (sopa) de corante alimentício vermelho em pó (10 g)

Modo de preparo

Processe a manga no liquidificador ou no multiprocessador e transfira para uma panela. Acrescente a mistura láctea condensada, a mistura de creme e a manteiga. Misture e cozinhe em fogo médio, mexendo até o brigadeiro desgrudar do fundo da panela e cair em blocos.

Desligue o fogo e continue mexendo até sair o vapor e o excesso de calor. Transfira a massa para um recipiente limpo e seco e cubra com filme plástico em contato com o brigadeiro. Deixe descansar por cerca de 6 horas em temperatura ambiente.

Divida o leite em pó em dois potes. Misture o corante amarelo em uma parte e o vermelho na outra. Com a massa firme e macia, porcione brigadeiros de 12 g e modele-os em formato alongado, semelhante ao de uma manga. Se necessário, passe um pouco de manteiga nas mãos para facilitar.

Passe os brigadeiros no leite em pó amarelo e, em seguida, retire o excesso com uma peneira. Coloque-os nas forminhas e, com um pincel, aplique delicadamente um pouco do leite em pó vermelho.

Brigadeiro gourmet com laranja da Mococa

Rende 25 brigadeiros de 15 g cada. O preparo ativo leva 15 minutos, além de cerca de 6 horas de descanso da massa em temperatura ambiente. Segundo a fabricante, a validade é de 2 dias em temperatura ambiente, 5 dias sob refrigeração ou 90 dias no congelador.

Ingredientes

Brigadeiro

  • 1 caixa de Mistura Láctea Condensada Mococa (395 g)
  • ½ caixa de Mistura de Creme Mococa (100 g)
  • 2 colheres (sopa) de Manteiga Mococa (30 g)
  • 2 colheres (sopa) de cacau em pó 100% (30 g)
  • ½ xícara (chá) de chocolate amargo com mais de 60% de cacau, picado (50 g)
  • Suco e raspas de 1 laranja-bahia (50 ml)

Finalização

  • ½ xícara (chá) de confeito de chocolate de sua preferência (50 g)

Modo de preparo

Em uma panela, misture a mistura láctea condensada, a manteiga e o cacau em pó dissolvido na mistura de creme. Leve ao fogo médio e mexa.

Quando começar a ferver, acrescente aos poucos o suco e as raspas de laranja. Continue mexendo até o brigadeiro desgrudar do fundo da panela e cair em blocos. Desligue o fogo, junte o chocolate picado e mexa até que derreta completamente e o excesso de calor se dissipe.

Transfira a massa para um recipiente limpo e seco e cubra com filme plástico em contato com o brigadeiro. Deixe descansar por cerca de 6 horas em temperatura ambiente.

Com a massa firme e macia, porcione e modele brigadeiros de 15 g. Se necessário, passe um pouco de manteiga nas mãos. Finalize com o confeito de chocolate e coloque nas forminhas.

Brigadeiro com bacon da Mococa

Rende 30 brigadeiros de 12 g cada. O preparo ativo leva 15 minutos, além de cerca de 6 horas de descanso da massa em temperatura ambiente. Segundo a fabricante, a validade é de 2 dias em temperatura ambiente, 5 dias sob refrigeração ou 90 dias no congelador.

Ingredientes

Brigadeiro

  • 1 caixa de Mistura Láctea Condensada Mococa (395 g)
  • 2 colheres (sopa) de Manteiga Mococa (30 g)
  • 2 colheres (sopa) de cacau em pó 100% (30 g)
  • 2 colheres (sopa) de leite integral (30 ml)
  • 150 g de bacon picado

Finalização

  • 1 xícara (chá) de cacau em pó 100% (100 g)

Modo de preparo

Em uma panela, misture a mistura láctea condensada, a manteiga e o cacau em pó dissolvido no leite integral. Leve ao fogo médio. Depois que ferver, acrescente o bacon picado e continue mexendo até o brigadeiro desgrudar do fundo da panela e cair em blocos.

Desligue o fogo e continue mexendo até sair o vapor e o excesso de calor. Transfira a massa para um recipiente limpo e seco e cubra com filme plástico em contato com o brigadeiro. Deixe descansar por cerca de 6 horas em temperatura ambiente.

Com a massa firme e macia, porcione e modele brigadeiros de 12 g. Se necessário, passe um pouco de manteiga nas mãos. Passe-os no cacau em pó, modele novamente para aderir e coloque nas forminhas.

ONDE COMER BRIGADEIRO

ABC Paulista

Padaria Brasileira — A rede prepara o Morango Cravejado com morango fresco coberto por brigadeiro branco, banho de chocolate branco e fragmentos de caramelo vermelho. O doce fica disponível enquanto durarem os estoques produzidos diariamente.

São Paulo

Açucareiro da Nana | @acucareirodanana — Em Higienópolis, a chef confeiteira Nana Fernandes celebra 10 de setembro com uma cortesia: os 200 primeiros clientes que consumirem qualquer café do cardápio ganham um brigadeiro. A casa trabalha o doce enrolado, em bombons e como recheio de bolos, incluindo versões ao leite e com chocolate belga amargo 54% cacau. Preparados em panela, os brigadeiros levam creme de leite; a versão ao leite usa chocolate em pó 50% cacau, e a meio amarga, cacau em pó 100%

Bar Original | @baroriginal — Em Moema, o Brigadeiro de Colher custa R$ 23.

Esquina do Souza | @esquinadosouza — Feito com cacau 50%, o Brigadeiro de Colher custa R$ 20. A casa mantém operações na Vila Leopoldina, em Pompeia e na Vila Romana.

Feliciana Pães e Outras Histórias | @feliciana.paes — No Mercado de Pinheiros, o Brigadeiro da Casa custa R$ 5 a unidade.

Hospedaria | @hospedariasp — O Brigadeiro de Chocolate Cremoso é servido com pedaços de bolacha água e sal e custa R$ 32.

Lanchonete da Cidade | @lanchonetedacidade — O Bolo da Bisa combina bolo de chocolate, camadas de brigadeiro e calda de chocolate quente. Custa R$ 38.

Petite Fleur Café & Pâtisserie | @petitefleurcafeepatisserie — No Itaim Bibi, o Brigadeiro Tradicional custa R$ 10 e leva chocolate ao leite e granulado de chocolate belga. O Bolo de Brigadeiro ao Leite e Branco, com pão de ló de chocolate e dois recheios, custa R$ 40.

Pirajá | @barpiraja — Assado no forno, o Brigadeirão custa R$ 28.

Pobre Juan | @restaurantepobrejuan — A Taza Brownie reúne brownie, brigadeiro cremoso, calda de chocolate, sorvete de baunilha e praliné de amêndoas. Custa R$ 47.

Taraz | @taraz.saopaulo — No Rosewood São Paulo, o Brigadeiro de Panela da pastry chef Saiko Izawa leva granulado de chocolate, paçoca de castanha de caju e castanha de caju caramelizada. Custa R$ 55.

Tchocolath | @tchocolath — Na Vila Nova Conceição, o Bolo de Cenoura com Chocolate leva cobertura de brigadeiro e custa R$ 23.

São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia

Brasil Cacau — Em 10 de setembro de 2026, a rede oferece 15% de desconto no Brigadeirão Moça, no Milkshake Moça e no Cascão Moça. A promoção vale nas unidades próprias participantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.