Grotta Cucina entra na seleção do Guia Michelin com clássicos muito bem repaginados
Restaurante aberto em 2024 nos Jardins preserva os ingredientes centrais da culinária italiana e reinventa pratos tradicionais com maestria

Fui ao Grotta Cucina, nos Jardins (São Paulo), com o pedido decidido. Queria comer massa. Havia muitos meses que eu não provava nem fazia massa. Mas, quando cheguei lá, me compliquei. Queria pedir o cardápio inteiro. Bruno Furlanetto, restaurateur da casa, foi muito gentil e alimentou a minha gulodice. Sugeriu mandar várias porções pequenas para que eu pudesse provar mais pratos. Claro que aceitei.
Comecei com o Monet, uma compota de pomodoro San Marzano, pesto de manjericão, stracciatella maçaricada, olio di basilico e focaccia tostada. Super bem-empratado e delicioso (R$ 88). Outra entradinha foi o Carpaccino, montado como uma torre de carpaccio de mignon, mousseline di tonnato e olio de alcaparra sobre uma millefoglie crocante, finalizada com Parmigiano e crema balsâmica (R$ 83). O empratamento era diferentão.
Em uma casa que combina massas, carnes, frutos do mar, queijos e trufas em pratos de composição elaborada, a carbonara me chamou a atenção. Sempre acho um bom teste. Se a cozinha acerta nessa receita romana, tudo vai dar certo. E assim foi!
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A carbonara leva poucos ingredientes, todos muito conhecidos: gema, Pecorino, Parmigiano Reggiano, guanciale e pimenta. Em muitas adaptações brasileiras, o bacon substitui o guanciale. Como não há ingredientes ou molhos para esconder eventuais erros, a técnica fica exposta.
A Carbonara custa R$ 105 e leva mezze rigate, gema caipira, Pecorino, Parmigiano Reggiano, guanciale e pimenta-preta. O molho depende da emulsão formada pela gema, pelos queijos, pela gordura do guanciale e por um pouco da água do cozimento. A mezze rigate, massa curta e estriada, ocupa o lugar do espaguete mais comum em muitas versões brasileiras.
A segunda carbonara do cardápio revela outra face do Grotta. A Carbonara al Tartufo custa R$ 190 e acrescenta manteiga de trufa branca e trufa negra fresca à mesma base de gema, Pecorino, Parmigiano Reggiano, guanciale e pimenta.

Também pedi o Sinfonia D’Anatra, uma espiral de pappardelle recheada com pato, molho rôti e crocante de guanciale (R$ 152). Estava simplesmente maravilhoso. A terceira massa foi o Gorlomi, preparado com trofie, um formato que eu amo. Cada unidade parece uma cobrinha grossa, feita à mão, uma a uma. O molho levava linguiça italiana, porcini, Parmigiano Reggiano e pangrattato de prosciutto (R$ 103). Delicioso.
Mas não provei tudo. Não dava mais! A trufa aparece em boa parte do menu. Está no raviolo de gema chamado Volcano, na lasanha Pisa, no gnocchi Parigi, no tagliatelle Rossini e no sopressini Ciccio. Há também o Al Capone, arroz negro com licor de café servido com risoto na manteiga de trufa branca.
O chef Daniel Ricciardi chegou ao restaurante depois de trabalhar por quase dez anos como private chef e realizar mais de 500 refeições e eventos particulares. Bruno Furlanetto e Fabian Meyer conheceram sua cozinha primeiro como clientes. Os três abriram o Grotta em junho de 2024, na Rua José Maria Lisboa, no Jardim Paulista, em São Paulo.
O nome faz referência às Grutas de Castellana, complexo subterrâneo localizado perto de Bari, na Puglia. Essa inspiração aparece de forma literal no imóvel. A produção das massas pode ser acompanhada da calçada, por uma área envidraçada na fachada. No subsolo, pedras naturais e iluminação baixa reproduzem a atmosfera de uma gruta e criam um espaço separado para eventos.
O cardápio combina referências italianas com ingredientes e técnicas de outras cozinhas. Reúne tortelli de alcachofra com espuma de erva-doce e wasabi, cavatelli com camarões, mexilhões e gengibre, risoto cacio e pepe com carré de cordeiro e tortellone de carne preparado a partir de uma receita atribuída à bisavó do chef.

A carbonara preserva uma base reconhecível. O tortelli de alcachofra com wasabi e o cavatelli com gengibre mostram a liberdade adotada em outras receitas. Em abril de 2026, o Grotta foi incluído pela primeira vez na seleção do Guia Michelin, entre os restaurantes recomendados na categoria “Boa cozinha”.
Também provei o Grotta Sour, feito com gin de canela, limão-siciliano, angostura, xarope de açúcar e anis-estrelado (R$ 55), e o Dry Martini, muito bem executado. A carta inclui ainda coquetéis sem álcool.
Estava satisfeitíssima, mas não podia sair sem uma colherada de doce. Na linha dos clássicos, fui de tiramisù (R$ 51), que estava muito bom. O Nena Dolce é um cannolo de gorgonzola e licor de alcachofra com praliné de noz-pecã e gelato de mel (R$ 60). O conjunto me surpreendeu pela delicadeza e pelo sabor.
Grotta Cucina
Rua José Maria Lisboa, 257, Jardim Paulista, São Paulo
Instagram: @grottacucina
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