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Aprendiz de cozinheira

Elaine de Oliveira transforma vinho em trabalho, ensinamentos e negócios

Sommelière carioca constrói marca para aproximar mulheres, restaurantes e consumidores do universo dos vinhos

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Elaine de Oliveira iniciou sua carreira no mundo dos vinhos após trabalhar em gastronomia e perceber a falta de mulheres na área.
  • Ela se formou como sommelière e criou a marca "A Boa de Copo" para tornar o vinho acessível e descomplicado para o público.
  • Elaine organizou viagens e eventos enogastronômicos, além de atuar como consultora e palestrante na área de vinhos.
  • Elaine também busca incentivar a presença feminina no setor, planejando um projeto social para formar mulheres sommelières.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Elaine de Oliveira, sommelière carioca, criadora do Boa de Copo
Elaine de Oliveira, sommelière carioca, criadora do Boa de Copo Divulgação

Elaine de Oliveira não começou como a pessoa que sabe tudo sobre vinho. Ao contrário. Ela diz que só passou a beber quando começou a estudar o assunto, já perto dos 30 anos.

Antes disso, a vida passava por outro roteiro. Em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, fazia teatro na escola e na igreja, tinha uma carreira de modelo, que durou até os 27 anos, além de ter se formado em Artes Cênicas e em Design de Interiores.


A cozinha veio antes da taça. “Minha família é uma família de cozinheiros. Desde os 9 anos eu aprendi a cozinhar”, conta. Ainda jovem, ela já fazia comida para a família. O contato profissional com a gastronomia apareceu mais tarde, em um evento em um restaurante de hotel no Rio.

Elaine foi trabalhar ali, gostou do ambiente e aceitou uma vaga de hostess. Tinha acabado de se formar em Design de Interiores, mas nunca exerceu a profissão. “Eu já estava apaixonada pelo universo da gastronomia”, diz.


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O vinho entrou por esse caminho, primeiro como parte do serviço, depois como possibilidade de carreira. Depois de alguns anos no salão, Elaine foi trabalhar com Marcelo Torres, restauranteur do Rio de Janeiro. Em um restaurante com carta extensa no Leblon, percebeu uma ausência que mudaria seu rumo. “Eu vi uma oportunidade de uma mulher no universo do vinho. O Rio de Janeiro não tinha”, afirma.

Ela pediu demissão para estudar vinho. Marcelo não aceitou perdê-la. A resposta veio em forma de teste e de aposta. “Então agora você é sommelier”, teria dito ele. E Elaine rebateu: “Eu mal sei abrir uma garrafa de vinho”.


Na mesma semana, começou a trabalhar na função e se matriculou no curso profissional da Associação Brasileira de Sommeliers. Comprou livros, fez cursos e estudou a carta de vinho de cabo a rabo.

O primeiro dia trouxe uma dessas cenas que marcam começo de carreira. Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, então todo-poderoso da Globo, era cliente assíduo.


Boni, que também era conhecido pelo conhecimento em vinhos, pediu que ela indicasse o melhor vinho espanhol da carta. Elaine ainda estava começando. Em vez de fingir segurança, devolveu a decisão a ele. Disse que ele conhecia mais do que ela e saberia escolher.

O vinho escolhido foi um Vega Sicilia Único. Ela abriu a garrafa com medo de quebrar a rolha. Conseguiu, mesmo quebrando a rolha. Boni virou cliente frequente e uma espécie de padrinho informal no mundo do vinho.

Depois vieram anos de salão, a passagem por uma vinícola brasileira em Santa Catarina, trabalhos em importadoras, palestras, aulas e consultorias. Elaine calcula que está perto de completar 20 anos de carreira. A fala em público, que vinha da formação em teatro, virou ferramenta de trabalho. “Meu sonho é falar de vinho para as pessoas”, resume.

A Boa de Copo nasceu dessa habilidade de traduzir o vinho sem intimidar. O projeto aparece hoje como marca, coluna, conteúdo, aula, viagem e comunidade. Elaine é formada pela ABS-Rio, professora de vinhos no Le Cordon Bleu, colunista de vinhos e enoturismo da Marie Claire, autora de guia, consultora de cartas de vinhos, palestrante e curadora de experiências enogastronômicas.

As viagens para escrever sobre vinho passaram a gerar pedidos de alunos que queriam conhecer vinícolas com ela, não apenas ouvir uma explicação pronta em visita guiada.

Elaine passou a montar grupos pequenos, geralmente de 18 a 20 pessoas, para viagens a regiões produtoras. O mesmo público que acompanha as aulas também acompanha roteiros, degustações e eventos.

O negócio não ficou preso à ideia de “curso de vinho”. Ele se espalhou por formatos diferentes: aula, palestra, consultoria, treinamento de equipe, carta de restaurante, viagem e eventos.

Na pandemia, Elaine abriu a Amai Vinhos, loja online que atendia todo o Brasil. No Rio de Janeiro, segundo ela, a entrega podia chegar em até uma hora. A operação funcionou por anos, mas foi encerrada recentemente porque exigia dedicação integral. “Loja você tem que se dedicar 100% para ela crescer”, diz. Parte dos clientes continuou comprando com ela por kits montados sob demanda.

O empreendedorismo, para Elaine, não aparece como discurso de vitrine. Aparece como risco, rotina e gestão do próprio tempo. “Para empreender, a primeira coisa é coragem”, diz.

Ela também fala de fé no projeto e de tecnologia como facilitadora para quem começa hoje. Mas identifica um obstáculo menos glamouroso: trabalhar sem chefe. “Ser dona do próprio tempo foi uma das coisas mais difíceis”, afirma.

No começo, a dificuldade também era entrar em um território visto como masculino. Elaine relata que clientes se surpreendiam quando viam uma mulher chegar à mesa como sommelière. Ela fazia questão de assumir esse lugar sem apagar a própria feminilidade. Hoje, diz ver mais mulheres brilhando no vinho, em nichos diferentes, de consultoria a vinho natural. Ainda assim, considera que o Rio de Janeiro tem pouca renovação na área.

A falta de mulheres disponíveis para o serviço de vinho virou uma preocupação prática. Elaine diz que restaurantes e pessoas da gastronomia a procuram pedindo indicação de uma mulher para comandar a carta, mas nem sempre ela consegue indicar alguém. “Nunca consegui indicar uma, porque tem pouquíssimas hoje no Rio de Janeiro”, afirma.

Dessa lacuna saiu a ideia de um projeto social para formar mulheres que querem estudar vinho, mas não conseguem pagar cursos profissionais. Elaine ainda não colocou o projeto de pé, mas já conversou com importadoras dispostas a apoiar.

A atuação como embaixadora dos Vinhos de Lisboa também nasceu de uma descoberta tardia. Elaine já conhecia regiões portuguesas como Douro, Dão e Alentejo, mas ainda não tinha visitado a região vitivinícola de Lisboa.

O convite veio de Carlos João Pereira da Fonseca, vice-presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Lisboa. A viagem virou relação profissional. Hoje, ela apresenta a região em eventos e costuma destacar a combinação de mar, serra, castas e estilos diferentes.

Elaine junta duas mesas: a da cozinha e a do negócio. O vinho não ficou só no ritual. Virou trabalho, linguagem e caminho para formar público.

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