Nira Leão transforma os cadernos da mãe na fábrica de salgados Vó Irene
Em Três Corações, Nira Leão leva salgados congelados para festas, 250 supermercados e delivery no Sul de Minas Gerais

Em Três Corações, Nira transformou os cadernos de Irene, a mãe que fazia salgadinhos de festa para ajudar em casa, em uma marca de congelados que está em mais de 250 supermercados no Sul de Minas Gerais.
Em 1987, Elcenira Corrêa Leão, a Nira, dona da Vó Irene Salgados, abriu os cadernos de receita da mãe. Ali estavam as anotações de Irene Corrêa Leão, mineira de Três Corações, nascida em 1929, mãe de 9 filhos e avó de 18 netos.
Irene fazia salgadinhos de festa para ajudar na renda da família. A filha caçula deu início ao negócio Vó Irene Salgados antes mesmo de dar esse nome. “Comecei na cozinha de casa, em Três Corações, com salgadinhos feitos para completar a renda e receitas guardadas em cadernos”, relembra Nira.
Quando Nira recorreu aos livretos e anotações da mãe, usou o repertório que tinha à mão, que eram as receitas já testadas, um produto conhecido nas festas da cidade e uma cozinha que já ajudava a pagar contas.
A mudança na história é profissional. Um salgado feito para a família permite ajuste no olho, conversa durante o preparo, improviso de última hora. Um salgado vendido por encomenda precisa repetir sabor, tamanho, ponto de massa, recheio e horário de entrega. O que era saber doméstico começou a pedir compra de insumo, cálculo de custo, agenda, cliente e padrão.
A Vó Irene nasceu no comecinho dos anos 2000. A mãe Irene faleceu em 2004. O nome colocou a mãe de Nira no lugar de maior visibilidade do negócio e fixou a promessa de comida de festa, receita de família, sabor reconhecível.
“Para uma marca de salgados, isso pesa. O cliente compra coxinha, quibe, risole e bolinha de queijo. Compra também a lembrança do aniversário, do café da firma, da reunião de escola, do lanche levado para casa no fim do dia”, ensina Nira.
A escolha do nome deu à empresa uma identidade difícil de copiar. Vó Irene não é uma expressão neutra de mercado. É uma pessoa da família, que fazia salgadinhos para ajudar em casa. Nira carregou essa história para a empresa mantendo a mãe na frente.
Hoje, a Vó Irene Salgados atende delivery, retirada, festas, eventos e coffee-break em Três Corações e região. Também tem uma unidade de delivery, no centro da cidade.
O cardápio mostra a vocação para festa, com coxinha de frango, quibe de carne, risoles, delícia de milho, croquetes, palito de presunto e queijo, esfirras, pastel assado, mini-churros, bolinha de queijo, empadas, baby pizza, barquete, salgado suíço, tartalete de ovo de codorna e espetinho de frango com bacon.
A marca também entrou nos congelados. A linha frita e congelada inclui coxinha de frango, quibe de carne, bolinha de queijo, kit festa, palito de presunto e queijo e risole de carne. A orientação ao consumidor é direta: só aquecer.
“Com esse formato, o salgado entrou no freezer do supermercado, na compra da semana, na visita inesperada, no lanche resolvido em poucos minutos. E eu gosto muito de fazer demonstração em supermercado até hoje”, diz Nira, sempre muito animada.
A expansão de 2022 ganhou endereço próprio. Agora, está construindo um galpão maior para unir a operação de todas as unidades e dar conta das entregas, que acontecem em três turnos. Nira não para.
Nessa hora que os produtos passaram a estar em mais de 250 mercados no Sul de Minas Gerais, com mais de 25 variedades e atendimento para consumo, revenda, eventos e buffet.

Nira também abriu o Vó Irene para revendedores. A linha para revenda separa Produtos Ilha e FoodService de 1,5 kg, com itens como coxinha de frango, bolinha de queijo, quibe de carne, palito de presunto e queijo, risole de carne, delícia de milho e churros de doce de leite.
Nira passou a trabalhar com dois públicos. Um compra salgado para casa, aniversário, reunião ou coffee-break. O outro abastece gôndola, freezer, revenda e operação de alimentação.
Nira trabalha hoje com o filho David no crescimento da empresa. A receita saiu de Irene, passou por Nira e agora aparece associada a uma nova etapa familiar. A cozinha da avó virou marca regional. A filha virou dona. O neto está na expansão.
A empreendedora é firme nos seus conselhos. “Não desista e não pare de trabalhar. Siga em frente que o resultado vem. O difícil é fazer bem, muitas vezes, para públicos diferentes, sem perder a confiança”, ensina Nira.
Foi esse caminho que Elcenira Corrêa Leão percorreu em Três Corações: pegar o caderno da mãe, transformar receita em trabalho e levar o salgado de festa até o freezer do mercado.
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Conheci a história da Nira em um táxi no Rio de Janeiro. Estava voltando de uma reunião, da Barra da Tijuca para Copacabana. O taxista estava com uma placa de revenda de salgados congelados da Vó Irene. Puxei assunto. Era Rene Leão, seu irmão e revendedor. Ele falou com tanto amor e tanto orgulho da irmã e de suas criações que eu quis conhecer na hora.
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